Cedo me apercebo de que ao pé Norman, me assemelho a um pequeno e frágil monotor ao pé de um jacto prestes a descolar a qualquer momento. Desejamos aos dois boa sorte. Quando dou por ele, já vai uns 500 metros à frente, a abrir caminho com o bastão, indiferente às viaturas que passam velozes entre Felgueiras e Guimarães.
É definitivamente um alívio quando largo a EN 101 em Fareja e começo a trepar por Calvos em direcção ao Santuário da Penha. Paro em Lapinha, arfando e tentando convencer-me de que já estou na Penha. “A Penha?”, responde com um odor a aguardente no hálito e um sorriso mordaz nos lábios, um local desocupado no café mais próximo, “ainda tens de andar muito até lá cima”.
Finalmente, a Penha, o miradouro, a estrada encaracolada, Guimarães lá embaixo, o estádio muito branco curiosamente sobressaindo sobre o bairro histórico, o castelo, o Paço Ducal. Já penso em descer os sete quilómetros até à cidade quando me apercebo que um moderno teleférico se me oferece, as carruagens quase todas vazias, mesmo a meus pés. Digo adeus por momentos ao Portugal a pé e ofereço a mim próprio Portugal de teleférico.
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