PORTUGAL A PÉ (PORTUGAL ON FOOT)

DIÁRIO DE VIAGEM DO JORNALISTA NUNO FERREIRA (EX-EXPRESSO, EX-PÚBLICO) QUE EM FINAL DE FEVEREIRO DE 2008 INICIOU EM SAGRES A TRAVESSIA A PÉ DE PORTUGAL. O BLOG INCLUI ALGUNS VIDEOS E TAMBÉM TODAS AS CRÓNICAS PUBLICADAS ENTRE 1 DE MARÇO E 6 DE SETEMBRO DESSE ANO NA REVISTA "ÚNICA". (Travel diaries of Nuno Ferreira, a portuguese journalist who started crossing Portugal on foot since February. He wrote weekly chronicles to a weekly newspaper from February till September).

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

QUANDO A GARRAFA ME DEITOU AO CHÃO

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Bom, esta é a parte do Portugal a Pé que nunca desejei escrever. Talvez por isso esteja a redigir directamente na página, para que seja mais rápido e doa menos. Sempre bebi, umas vezes mais, outras vezes menos. O facto de ter um país de alcoólicos debaixo dos meus pés fez-me estremecer as pernas. Começou por ser um festival gastronómico de perceves e aguardente de medronho e reserva de Lagoa no Algarve e continuou por aí acima, à medida da viagem. Provei os vinhos da região de Moura em Moura, os de Portalegre em Portalegre e entrei e saí de tudo o que é restaurante regional. Aos poucos, comecei a caminhar de manhã e a beber e comer da parte da tarde, em locais tão improváveis quanto belos. Tirava verdadeiro prazer disso: Parar num restaurante de estrada, a metros do Douro, ficar a beberricar e escutar os locais a falar da distância entre as vinhas, da última visita dos fiscais, beneficiar da hospitalidade das empregadas de tez rosada e olhar puro do campo, a limpar as mãos às batas antes de sorrir e perguntar com os dentes todos: "Então, o que vai ser?"
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No meio de tanta hospitalidade, perdi-me. Durante a semana, as aldeias desertas, os disponíveis são normalmente os desocupados, prontos a ciceronar o forasteiro mas a serem os primeiros a convidar ao primeiro copo. Fui-me perdendo aos poucos, entre dicas de locais a visitar e adegas visitadas. O Nuno Marçal, grande bibliotecário-ambulante de Proença-a-Nova deu-me uma dica mas eu, na minha cegueira de viandante de celebração em celebração e convívio em convívio, não lhe dei ouvidos. Disse-me: "Eu digo sempre que o meu médico não me deixa beber..."
O alcool é muito bem vindo entre amigos mas na estrada há ratoeiras, especialmente quando o consumo aumenta. Numa aldeia perto da Guarda, já alcoolizado, enfrentei uma sublevação geral porque estava a tirar fotografias à empregada enquanto ela servia vinho do garrafão. Um idoso levantou-se de bengala na mão e gritou: "Ou paras já de tirar fotografias ou levas um enxerto de porrada!" Ao fim de 15 minutos, aldeões que não tinham presenciado a cena asseguravam a pés juntos que se fosse com eles me partiam a máquina.
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Em Vale de Cambra, acabei mais de uma noite a rastejar nas escadas da pensão e com sorte lá acertava na cama. Uma noite, tropecei e parti um candeeiro, acordando um vizinho de quarto, separado da minha chinfrineira apenas por um tabique. "Q'é que se passa aqui?"
Nas Termas de São Pedro do Sul, almoçava só num restaurante com vista para um melancólico e idílico Vouga quando o meu sonho termal e bucólico terminou com a entrada de um grupo repentino de comensais. Que queriam comer e depressa, que iam para o casamento ali defronte- a música já se fazia ouvia estridente em todo o balneário- e que a comida viesse ou se de preferência que já lá estivesse. Achei estranho quererem almoçar se íam para a boda mesmo no hotel em frente mas deixei a minha coluna vertebral entortar-se de irritação com as conversas:Facturação para ali, gastos para acolá, dispensa de trabalhadores, que o imobiliário é que está a dar. Eram eles a falar e eu a beber. A dado momento, a proprietária pediu delicadamente aos comensais que retirassem as viaturas (uma com mais cilindrada que a outra) da área dos táxis. Achei-os patos bravos, mais feios, porcos e maus que os protagonistas do Ettore Scola. Na minha alcoolémia, sorri-lhes covardemente ao abandonar o restaurante mas na realidade odiei cada centímetro daquela converseta de betão e tubagens e do gajo porreiro para facilitar na transação.
Acabei a beber whisky num bar em madeira à beira rio. Quando passei de novo pelo casamento, entrei. Porquê? Estava bêbedo. Entrei e tirei duas fotografias à mesa carregada de bolos e vitualhas. Um senhor veio educadamente pedir para eu saír. Saí e fui provocado por um produto da região, daqueles seres grandes, bochechas muito vermelhas e mãos calejadas que só nos surgem à frente quando estamos indefesos e bêbedos. Mandei-o aquela parte. Nesse dia, só não fui parar ao hospital porque era sábado e as termas estavam repletas de forasteiros que me acudiram quando eu, deitado no chão, levava pontapés do homem, do grande: "Chamaste-me filho da puta, estragaste o casamento". Atrás dele, na nuvem conturbada da minha alcolémia, consegui ver mulheres, homens, jovens, vindos da boda, num chinfrim que a atoarda fazia parecer lá longe. Se tudo aquilo se estava a passar comigo, era num mundo etéreo, vago, onde cada palavra ecoava de modo estranho, como de dentro de um poço.
No dia seguinte, corado de vergonha das raízes do cabelo às unhas dos pés, peguei na mochila e pus-me ao caminho. Umas senhoras passaram por mim: "Você está bem? Estava tudo do seu lado...Como é que aquele monstro pôde ser tão covarde para lhe bater assim? Vai-se embora? Não vá, fique e fique de cabeça erguida!"
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Fiquei mais um dia nas Termas de São Pedro do Sul, já uma segunda-feira, os comerciantes observando-me circunspectos, a minha auto-estima de rastos. Até que no dia seguinte peguei na mochila e só acabei em Covas do Monte, em plena Serra de São Macário. Quando me sentei no banco de madeira comunitário onde os aldeões se sentam à conversa enquanto não chegam as cabras, pensei que ali sim, estava onde queria e devia estar.
O alcool ainda me perseguiu Montemuro acima. Andei a cambalear de aguardente com mel enquanto fotografava e filmava uma chega de bois. "Estavas cá com uma chiba", comentou no dia seguinte um conhecido. Para o fim, os efeitos da caminhada juntamente com o alcool produziam-me muitas dores musculares e cãimbras. Besuntava-me cada vez mais com pomada para as dores. Até que em Penedono, resolvi pedir ajuda. A 17 de Agosto entrei numa comunidade terapêutica de onde saí há um mês. Agora, além de jornalista, reporter e viandante, sou um alcoólico. Sento-me agradecido na cadeira que estendem para mim nas reuniões dos A.A. e digo: "Olá, sou o Nuno, sou alcoólico". Em recuperação. Sempre. Que a doença está a cada esquina.
De modos que se o Portugal a Pé já tinha algo de busca do Portugal de que eu gosto, aquele sem shoppings nem parques de estacionamento nem frachisings, agora passa a ter um pouco mais de espiritualidade. Posso chegar à próxima etapa no cimo da próxima serra ou na próxima curva de uma linha de comboio abandonada e rezar em voz alta a oração da serenidade: "Senhor, Dai-me Serenidade Para Aceitar as Coisas que Não Posso Modificar..."
Nuno Ferreira

terça-feira, 11 de Agosto de 2009

VIAGEM INTERROMPIDA

A viagem vai ser interrompida a partir de 17 de Agosto e durante três meses por motivos pessoais

Obrigado a todos

Nuno Ferreira

terça-feira, 14 de Julho de 2009

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segunda-feira, 13 de Julho de 2009

PORTUGAL A PÉ (CLICAR NO FINAL EM mensagens antigas PARA VER O RESTO DA VIAGEM)

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Tenho este projecto há anos: Atravessar o Portugal profundo a pé, de bicicleta ou de autocarro e comboio. Anos de encarceramento na labuta infernal do jornal diário não me permitiram cumprir o sonho mais cedo. Durante mais de 20 anos, fiz pequenas, médias e grandes reportagens. Até cheguei a ter um cartão em cima da minha secretária onde se podia ler: “Fazem-se pequenas, médias e grandes reportagens”. Para mim, uma reportagem sempre foi saír da redacção, ver e ouvir, perguntar o que for preciso, regressar e escrever. O tamanho não conta.
Tirei gozo de viagens de camião pela Europa ou através do sertão brasileiro ou de atravessar a Índia de comboio da mesma forma que me entusiasmava com reportagens céleres e marcadas pelo cronómetro da azáfama do diário na Cova da Moura, na Quinta da Fonte ou em incêndios florestais ou urbanos. Atravessei a Route 66, escrevi na revista do Expresso e do Público sobre quase todas as estradas nacionais, sobre a vida e morte da Cândida Branca Flor ou do Vitor Baptista, acompanhei claques de futebol até Itália, enfim...Entrevistei o Jorge Palma,os Xutos, a Diana Krall, Norah Jones, B B King, Coldplay, escrevi sobre country, blues e rock. Morri de tédio em conferências de imprensa, em sessões da Assembleia Municipal, bati milhares e milhares de caracteres de breves noticiosas e rescrevi muitos textos. Estava precisamente a regressar um dia à redacção quando o telemóvel tocou. A administração queria-me convocar para o fim da linha. Tinha 44 anos e estava de acordo com o director do jornal “desmotivado”. Farto de tanta ingratidão, peguei na indemnização e vim cá para fora. Durante três meses, a única coisa que fiz foi passear na praia à frente de casa com o meu husky cego por companhia, o Grishka. Como era Outono, tínhamos a Praia de São João da Caparica para nós. Ali assisti à destruição de uma praia pela força do mar, força essa impelida pela ganância dos homens, que roubaram a areia entre a Cova do Vapor e o Farol do Bugio para levarem para a outra margem do Tejo, a dos ricos, a que está sempre primeiro.
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Bom, escrevi um livro sobre políticos e limusinas que vendeu dois mil míseros exemplares e que tinha de procurar nas livrarias em secções tão insuspeitas como informática ou turismo- juro que é verdade- e foi então que começou a ruminar-me no cérebro o PORTUGAL A PÉ. Se toda a gente anda a viajar e a escrever sobre todos os cantos do mundo e a publicar em todo o lado, porque não propor a uma publicação crónicas de uma travessia de Portugal a pé? Foi o que fiz. Enviei um mail ao José Cardoso, então editor da “Única” e fiquei à espera. Em Fevereiro de 2008, já eu desesperava, recebi a luz verde do “Expresso”. Em poucos dias, fui à Sport Zone, comprei o essencial para caminhar à chuva, ao sol e ao vento e parti, nervosíssimo, para Sagres, onde decidi começar a aventura.
Como só tinha de escrever e enviar fotos uma vez por semana, andei ao meu ritmo, sem qualquer preparação física especial, apenas com o andamento de quem andara a passear o cão na praia livre da Caparica outonal. No primeiro dia, percebi imediatamente que tinha levado carga a mais na mochila- atravessei o Algarve com 15 quilos às costas- e descobri ao fim de três quilómetros o que teria de melhor a minha viagem: A cada canto, em cada esquina, há um português com vontade de conversar, de falar da vida. O meu primeiro amigo foi um empregado de um restaurante de Sousa Cintra, perto do Cabo de São Vicente. Ao fim de meia hora de conversa, olhei para o galhardete do Sporting e disse: “Eh pa, o seu patrão só tem um defeito”. Assim descobri que estava em território de Sousa Cintra.
A partir dali, da ventosa Sagres, foi sempre a subir, Portugal acima. Levei com uma enxurrada fenomenal na Bordeira, concelho de Aljezur, barricado num café durante umas duas horas. Acabei a mostrar videos dessa enxurrada aos habitantes. Trepei a minha primeira serra, Espinhaço de Cão, em Março de 2008. Nunca me esquece de um idoso inglês que fotografava a vista do mar lá ao fundo, junto a Monte Clérigo e se saíu com esta: “Quem me dera ter a sua energia”. A partir desse momento, entendi também que seriam pessoas como essas, ao longo de estrada, que me dariam alento para continuar, além das letras do Jorge Palma, da letra “You Never Walk Alone”, das letras do filme “Into The Wild” e do meu gurú Bruce Springsteen. Quando me sinto mais desanimado canto sózinho “Reason To Believe” ou ponho-me a berrar “Sou benfiquista com muito orgulho e muito amor”. Enfim.
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Já tive algumas ínfimas situações menos agradáveis. Em qualquer país, há sempre umas ovelhas ranhosas plantadas onde menos se espera. Posso estar encantado com uma aldeia brilhante e verdejante num vale, descer os quilómetros de serra que me separam da terra e ser mal recebido. Aconteceu uma vez ou outra mas, adiante. Como não posso trazer a palavra jornalista escrita na testa, já passei por cigano, vagabundo, potencial ladrão, peregrino a fátima. Na Serra do Caldeirão, um aldeão viu-me a passar e exclamou: “Atão, nem uma bicicleta tem?” Respondi que tinha dois carros em Lisboa. O homem ficou a olhar para mim de boca aberta.
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Já tive várias povoações com a respectiva população a olhar pasmada para mim, como quem diz: “Que é que faz aqui este maluco, desgrenhado, de mochila às costas?” Quando sabem que sou jornalista, alguns pedem desculpa: “O senhor sabe, anda para aí tanta malandragem, não sabíamos quem você era”. Recentemente, numa zona bravia mas sadia do norte, um habitante aconselhou-me vivamente a cortar o cabelo e fazer a barba: “O pessoal daqui não gosta de gente com brinco ou cabelo comprido. Homem, você está sujeito a levar um enxerto de porrada”. Entrei imediatamente numa barbearia nostálgica e embebida em melancolia numa rua estreita, sentei-me na cadeira de um barbeiro ensimesmado e triste, paguei seis euros e saí um homem novo.
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Tenho feito muitas amizades, se elas perdurarão ou não, não sei. Nunca mais esqueço a dona de uma loja de artesanato em Alte, no Algarve, que sempre repetia: “Você não vai conseguir, não acredito. Portugal a pé? Com esse peso às costas? Não acredito...” Não dá para esquecer os poetas populares do Alentejo, a rimar só para mim nem aquele taxista de Coimbra, que me levou ao meu ponto de re-partida, Góis, e de cinco em cinco minutos batia no tablier e exclamava: “E cum caralho, cum caralho, Portugal a pé, você é um corajoso do caralho”!. E o taxista de Castro Daire que me foi buscar às Portas de Montemuro depois de um corta-mato furioso serra acima: “Foda-se, você é um herói do caralho. Se ganhasse o euromilhões ía consigo!” Em Penedono, o dono de um bar propôs juntar-se a mim na travessia um pouco arriscada da linha do Douro, onde o comboio ainda passa e é preciso encostarmo-nos às pedras ou junto ao rio.
casa do Xico Rouxinol
Estava por alturas de Belver quando liguei para o “Expresso” e me comunicaram que devido a uma remodelação na revista “Única” as minhas crónicas deixariam de ser publicadas em Setembro de 2008. Contei os meus tostões e decidi continuar, apesar de deixar de ter subsídio de desemprego. Criei então este blog e fui à luta. Pedi patrocínios mas a crise está primeiro. Desde que as minhas crónicas cessaram no “Expresso” e enveredei por colocar o meu material na internet, fiquei mais pobre mas passei a ter muito feedback, a receber mensagens de apoio e só Deus sabe como elas são importantes quando se está sózinho a atravessar a Beira Alta, para dar um exemplo recente. “Você pensava que isto aqui era tudo plano? Isto aqui é o distrito de Viseu, é só serras, subir e descer”, explicou-me um beirão em Moimenta da Beira.
De acordo com os meus planos, ainda tenho para calcorrear Trás-os-Montes pelo Tua, depois inflectindo para Freixo de Espada a Cinta, Miranda do Douro, Bragança e Montesinho, Chaves e Montalegre. Sonho em descer por Terras de Basto, atravessar o Parque do Alvão e o Marão, voltar ao Douro, inflectir para o Grande Porto e conquistar o Minho até ao meu destino final de sempre: Lamas de Mouro, na Serra da Peneda.
Adeus cigano 3
Um abraço a todos e não se esqueçam de enviar mensagens positivas, que eu agradeço!!!

Nuno Ferreira, Santo António da Caparica, 13 de Julho de 2009

BIO DE NUNO FERREIRA
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Natural de Aveiro, onde nasceu em 1962, Nuno Ferreira licenciou-se em comunicação social na Universidade Nova de Lisboa. Foi colaborador permanente do semanário Expresso de 86 a 89, ano em que ingressou nos quadros do jornal Público, onde se manteve até Setembro de 2006. Nos últimos 20 anos fez todo o tipo de reportagens de cariz social, primeiro na revista do Expresso e mais tarde em diversas secções do Público (Sociedade, Local e Pública). Neste último, manteve uma crónica satírica intitulada “Ficcões do País Obscuro” e escreveu sobre música popular americana. Entre outros prémios, recebeu em 96 o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube de Jornalistas do Porto com o trabalho “Route 66 a Estrada da América”, que lhe valeu também uma menção honrosa da Fundação Luso-Americana. Um ano mais tarde, recebeu o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube Português de Imprensa com o trabalho “A Índia de Comboio”. Em 2007 publicou conjuntamente com Pedro Faria o livro "Ao Volante do Poder" na editora Bertrand

( http://www.wook.pt/product/product/id/197543)

Nuno Ferreira was born in Aveiro, Portugal, in 1962. He has a degree of journalism. Nuno worked for Lisbon "Expresso" weekly newspaper from 86 till 89. Then, he worked on Lisbon "PUBLICO" newspaper staff from 89 till 2006. He won a portuguese travel journalism award for "Route 66 America's Road" in 96 and a year later he won another award for "India By Train". Nuno Ferreira published a book in 2007 called "Ao Volante do Poder" ("On Power's Wheel")and he's now working as a freelancer.

ENTREVISTA COM JOÃO PAULO MENESES NA TSF:
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1016877&audio_id=1204639


ENTREVISTA NA ANTENA UM NO PROGRAMA DE JORGE AFONSO AQUI:

http://tv1.rtp.pt/multimedia/programa.php?hist=1&prog=2754

NO "JANELA INDISCRETA"

Agradecimentos a Pedro Rolo Duarte aos sites de onde recolhi imagens da terrível tragédia em Alcafache: Mangualde Online, Bombeiros de Mangualde, Bombeiros de Canas de Senhorim, Câmara Municipal de Mangualde.

sábado, 11 de Julho de 2009

SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

 
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Estava no Miradouro do Senhor do Mundo completamente exausto e decidido a não caminhar mais naquele dia quando descobri que não podia chamar um táxi para me vir buscar porque estava sem saldo no telemóvel. Lá trepei mais quatro quilómetros à luz do fim do dia até São João da Pesqueira. Esta foto foi tirada à entrada, quem vem da Barragem da Valeira.

A CAMINHO DE SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

 
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Os campos que separam a Barragem da Valeira e São João da Pesqueira são assim. Palavras para quê? Dá vontade de entrar pela vinhas dentro e deitar à sombra a ouvir "I heard through the grapevine"...

A CAMINHO DE SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

 
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Aqui já estava a voltar à zona de São João da Pesqueira por outro caminho. À direita, vê-se o paredão de rocha onde se esconde o túnel ferroviário que eu atravessei.

ADEUS BARCO

 
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Não sei se me estava a despedir do barco se do rio. O Douro causa uma impressão tremenda, tão tremenda quanto as pedras, os socalcos, as vinhas, as oliveiras. Como sou péssimo em poesia não escrevo um poema.

ADEUS BARCO

 
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Estava a correr apressado pelo túnel da linha do Douro que vai dar à Barragem da Valeira quando, já de novo sob a claridade, dei com o barco. Os turistas a apanhar sol no convés viram-me trepar da linha para a estrada por um caminho em terra batida. Sacudi-me todo, limpei-me o mais que pude e passei pelo cruzeiro de cabeça levantada, junto às comportas. Só Deus sabe o cansaço que transportava cá dentro.

ADEUS BARCO

 
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Lá vai ele rumo à Régua.

DOURO NA BARRAGEM DA VALEIRA

 
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Atravessei a barragem da Valeira um pouco combalido depois da minha aventura pela linha do Douro.

TÚNEL NA LINHA DO DOURO ANTES DA BARRAGEM DA VALEIRA

 
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Esperei cerca de duas horas à sombra de uma oliveira que o comboio passasse em direcção ao Pocinho. Tinha visto-o a passar em direcção ao Porto na Fadagosa e não o queria enfrentar dentro de um túnel para mim completamente desconhecido. Mal ele passou atirei-me ao túnel mas a meio do túnel de cerca de 80 metros e escavado na rocha, veio a escuridão e o pânico. Corri com todas as minhas forças até vislumbrar, numa curva, um halo de claridade suficiente para acreditar que a saída não estava longe.

NA LINHA DO DOURO

 
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De um lado o Douro a convidar a um mergulho, do outro a falésia e pouco espaço para caminhar. Caminhei sabendo que o comboio chegaria de frente mas mesmo assim em desasossego.

NA LINHA DO DOURO EM DIRECÇÃO À BARRAGEM DA VALEIRA

 
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Alguém me disse que para chegar mais rápidamente ao Tua, tinha de atravessar a ponte sobre o Douro mesmo em frente a São Xisto e foi o que fiz, calcorreando a ferrugem do metal verde, tendo um barco cruzeiro a passar ali ao lado.

SÃO XISTO

 
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Não resisti a subir à desertificada São Xisto para apreciar a vista sobre o Douro e a recuperação das casas. Para a maioria dos habitantes da zona, São Xisto continua ainda a ser a aldeia onde em Janeiro de 2005 um morador matou a mulher e um casal vizinho antes de se suicidar. Agora a aldeia fica para os turistas fotografarem ou se instalarem nas casas recuperadas. Os ciúmes de um homem acabaram por matar o que restava de uma aldeia que chegou a ter 40 habitantes.

SÃO XISTO

 
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São Xisto foi para mim uma muito bonita aldeia fantasma.

APITA O COMBOIO

 
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Lá vai o comboio vindo do Pocinho e em direcção ao Porto.

O DOURO PERTO DE FERRADOSA

 
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Indescritível a sensação de avistar o Douro pela primeira vez nesta viagem. Mais que um marco psicológico, um deslumbramento. Não apetece saír dali. Dá vontade de fixar aquele azul e aquelas escarpas e retermo-nos ali, em silêncio ou na companhia de uma águia sobrevoando aquela paisagem encantatória.

VALE DA VILA

 
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Vale da Vila fica perdida entre Penedono, São João da Pesqueira e o Douro. Entrei num café para beber água e acabei na internet a moedas do bar.

PENEDONO

 
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Em redor de uma terra tão agreste como a de Penedono, de invernos e verões duros, gélidos e quentes, planta-se vinha e oliveira com a força e a vontade de gente muito, muito forte, hospitaleira, marcada pela pobreza, emigração e o regresso para dias e vidas melhoradas.
 
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Em Valongo dos Azeites parei para almoçar e acabei enredado em conversas de ocasião sobre vinhas e fiscalização e replantação como eles querem, os de Lisboa. "Eu fui a Lisboa e mesmo assim, pedem mais papéis, que a vinha assim e assado".

PENEDONO

 
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PENEDONO, FEIRA MEDIEVAL

 
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As feiras e mercados medievais tornaram-se um interessante mercado de entretenimento. Não há fim de semana que não se realize uma, do Minho ao Algarve. Em Penedono, no entanto, está lá aquele castelo que paira sobre tudo. Apetece fotografá-lo de todos os ângulos possíveis.
 
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A noite na Feira Medieval de Penedono, imediatamente a seguir ao "assalto ao castelo", com uma locução popular, feita para arrancar risadas: "Castelhanos, ide levar no c..."

FEIRA MEDIEVAL EM PENEDONO

 
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Combate medieval, sábado à tarde.

FEIRA MEDIEVAL EM PENEDONO

 
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FEIRA MEDIEVAL EM PENEDONO

 
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Estive mais de meia hora a roer as unhas e a assistir a crianças e adultos a trepar ao castelo até me decidir.

SUBIDA AO CASTELO

 
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PENEDONO

 
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FEIRA MEDIEVAL EM PENEDONO

 
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quinta-feira, 9 de Julho de 2009

 
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Então o frade também bebe? "É para lavar a alma", explica este jovem de Penela da Beira e estudante em Sernancelhe.

FEIRA MEDIEVAL EM PENEDONO, JULHO DE 2009

 
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quinta-feira, 18 de Junho de 2009

NA BEIRA PROFUNDA

 
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Procissão em Penedono. Os jovens que ouço a conviver no espaço internet, a falar de jogos em consolas e de namoros apressam-se a vestir-se rápidamente para participar na cerimónia religiosa. Quando ela acabar, voltam à algazarra alegre do costume, partem para fora, de automóvel.

PENEDONO

 
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PENEDONO

 
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PENEDONO

 
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PENEDONO

 
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PENEDONO

 
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PENEDONO

 
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ACORDEONISTA LUÍS SANTOS EM PENEDONO (VIDEOS)





Estava a jantar quando ouvi uma grande algazarra do outro lado da rua. Homens e mulheres chegavam alegremente com bonés da CAP na cabeça. A princípio, pensei que viessem de uma excursão ou de uma festa, depois percebi que vinham de Mirandela, de uma manifestação de agricultores. Acabei a ouvir o acordeonista Luís Santos, um dos alegres manifestantes.

CHOSENDO-PENEDONO

 
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CHOSENDO, ÚLTIMA POVOAÇÃO ANTES DE PENEDONO

 
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VINHAS NA ESTRADA PARA PENEDONO

 
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FONTE ARCADA E BARRAGEM DO VILAR

 
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FONTE ARCADA

 
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FONTE ARCADA

 
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BARRAGEM DO VILAR

 
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ARCOZELO DO CABO

 
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ARCOZELO DO CABO

 
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MOIMENTA DA BEIRA-BARRAGEM DE VILAR

 
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MOIMENTA-BARRAGEM DE VILAR

 
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MOIMENTA DA BEIRA

 
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MOIMENTA DA BEIRA

 
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quarta-feira, 17 de Junho de 2009

MOIMENTA DA BEIRA

 
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GRANJA NOVA

 
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SALZEDAS

 
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BAIRRO JUDAICO, SALZEDAS, TAROUCA

 
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A PRESERVAÇÃO DE SALZEDAS (CRÓNICA PUBLICADA NO "CORREIO DA MANHÃ")

 
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Ao fim de 17 anos como padre na paróquia de Salzedas, António Seixeira apegou-se à preservação da Igreja Matriz, das Ruínas da Abadia Velha e luta para que alguém deite mão ao bairro judeu da povoação. “A judiaria de Salzedas é a nossa jóia da coroa e está a caír aos bocados. É uma peça única. Temos aqui um bairro judaico intacto, diferente de Belmonte. Aqui o bairro funcionava em gueto, as casas comunicavam uma com as outras. Pode-se circular por 40 habitações em circuito fechado, sem vir à rua”, explica.
“Algumas casas estão perdidas, irremediavelmente mas é possível e urgente preservar a judiaria”, afirma António Seixeira, que na véspera das eleições europeias serve de guia ao Mosteiro e Igreja Matriz e ainda tem um casamento para celebrar. “Faz-se de tudo um pouco”. Entre a visita de uma excursão e a celebração, o padre de Salzedas ainda embrulha artesanato que vende numa loja junto às ruínas da Abadia Velha. “No ano passado tivemos aqui 23 mil visitantes e este ano a tendência é para aumentar devido à divulgação na internet, no site da rede das Abadias dos Monges de Cister”. Dentro em breve, começarão as obras para a construção do núcleo museológico que possa albergar em segurança o espólio riquíssimo da instituição. “Temos duas obras de Grão Vasco, só para dar um exemplo”.
Atarefado a manter a luta da preservação do rico património de Salzedas, o padre Seixeira não teve muito tempo para dedicar à campanha das eleições europeias. “Serviu para me distrair um bocadinho…”, afirma.

SALZEDAS (TAROUCA)

 
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UCANHA

 
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FLOR ALMEIDA, UCANHA (CRÓNICA PUBLICADA NO "CORREIO DA MANHÃ")

 
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A Dona Rosa, grande anfitriã de Ucanha, guardiã da Igreja Matriz e cicerone de uma das aldeias mais belas do país, não está. “Foi para a Serra da Estrela em passeio, hoje está quase tudo para lá”, explica uma sorridente e simpática Flor Almeida, 50 anos, uma dos onze filhos da famosa Dona Rosa. Ucanha sempre foi famosa pela Ponte Fortificada sobre o Rio Varosa, por ter sido o berço do etnólogo Leite de Vasconcelos mas o projecto “Aldeias Vinhateiras do Douro” trouxe-lhe uma vida e uma cor novas, sobretudo na área onde existiu até agora maior intervenção, a Rua Direita. A casa onde Flor vive com a Dona Rosa é uma das casas intervencionadas, com portas em verde, paredes em branco. Flor viveu muitos anos na Suíça, trabalhando na hotelaria e voltou para tomar conta da mãe. “Ucanha, se fosse na Suíça, era visitada por milhares de turistas, tinha um hotel de cinco estrelas…”, desabafa Flor. Não só a paisagem é deslumbrante, o Varosa bordejado por salgueiros e amieiros, a Serra de Santa Helena como fundo para os campos de milho, para as vinhas e os olivais, como tudo em Ucanha respira História, a nossa, a de Portugal. “Precisava de ser mais promovida no estrangeiro”, afirma Flor. Os deputados, a eleger no domingo, que promovam Ucanha, as suas Quelhas, o seu granito, as suas casas de varandas em madeira colorida. “Ai se fosse na Suíça…”

UCANHA

 
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DONA ROSA (CRÓNICA PUBLICADA NO "CORREIO DA MANHÃ"

 
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“A Torre estava abandonada e eu botei-lhe a mão”, conta agora Rosa de Jesus, 74 anos, mais conhecida por Dona Rosa, a mulher que durante mais de 20 anos cuidou da Torre Fortificada e da Igreja Matriz de Ucanha. “Tratei daquilo, fiz lá um pequeno museu com coisinhas agrícolas, fazia as limpezas e explicava as pessoas a História da Torre. Eu não sei ler mas fui aprendendo com os turistas. Para o fim parecia um papagaio, sei tudo de cor”. A Torre passou a ser a razão de viver da mãe de 11 filhos. “Era como a se a Torre fosse minha. Recebia louvores dos turistas no livro de visitas…” Há oito anos, Rosa de Jesus foi substituída pelo turismo local. “Foi como uma facada nas costas. Eu fazia aquilo por orgulho, prazer, por paixão”.
Sem entender o afastamento, Dona Rosa adoeceu. “Estive em depressão e em tratamento. Então, eu estava acostumada a estar a fazer o comer e apagar o lume para ir atender os turistas…” Sem a “sua” Torre, Rosa de Jesus continuou a tomar conta da Igreja. “A maioria das pessoas vêm aqui a Ucanha para visitar a Torre mas quando entram na Igreja ficam de boca aberta”, explica. Na verdade, o contraste entre a sobriedade granítica do exterior e a riqueza da talha dourada dos retábulos e dos caixotões pintados do tecto é enorme. “É linda, não é? Eu sonho com a Igreja…”
Agora, enquanto vai aprendendo a escrever na Junta de Freguesia, Rosa de Jesus vive de cuidar a Igreja Matriz e das recordações da Torre. De política e eleições é que Dona Rosa não quer nem saber: “Eles é que o ganham, não ligo a essas coisas”.

UCANHA

 
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UCANHA

 
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UCANHA

 
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JOAQUIM RODRIGUES, SÃO JOÃO DE TAROUCA (CRÓNICA PUBLICADA NO CORREIO DA MANHÃ)

 
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“Nesta freguesia toda a gente tem televisão e acesso à internet na Junta de Freguesia”, explica Joaquim Rodrigues, 60 anos, autarca socialista de São João de Tarouca, um vale verdejante encaixado entre arvoredo, famoso pelo seu mosteiro. “O problema é que as pessoas ligam a televisão, sentam-se à espera de ver os candidatos debaterem questões europeias e vêem-nos a trocar acusações oportunistas sobre a política nacional. É uma estupidez, uma tristeza”, diz Joaquim, ex-auxiliar na Escola António Arroio, em Lisboa. “Os culpados de as pessoas se absterem nestas eleições são os candidatos porque em vez de fazerem uma campanha pedagógica sobre o Parlamento Europeu andam a acusar-se mutuamente sobre temas que não têm nada a ver com a Europa”, defende. “Imagine se na campanha das legislativas só se falasse em questões europeias…é um absurdo”. Joaquim Rodrigues, 31 anos de Lisboa e há 12 como autarca em São João de Tarouca, poeta popular e amante da natureza, tem-se esforçado para modernizar a população. Hoje, a vila tem espaço internet, biblioteca, aulas de ginástica, loja de artesanato criada pela junta, tudo conseguido com apoios comunitários. “Aqui as pessoas estão informadas sobre tudo e ao mesmo tempo vivem no meio da natureza. Às vezes, comunico no Messenger com amigos meus em Lisboa e digo-lhes que estou a respirar ar puro, a ouvir as águas do Rio Varosa e os pássaros nocturnos. Em São João de Tarouca, somos senhores do tempo…”
 
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UM CHAMAMENTO DIVINO

 
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“Foi um chamamento divino”, explica António Vieira Caetano, 72 anos, guardião do Mosteiro de São João de Tarouca. Durante anos, trabalhou em Lisboa em lojas de vestuário como a alfaiataria Rosa E Teixeira, na Avenida da Liberdade. Um dia regressou à terra natal e tratou de cuidar do grande monumento da sua terra. “Vim para aqui em 1977, estava o Mosteiro com as portas abertas, sem telhado, os azulejos descolados das paredes, esculturas em terracota desfeitas. Decidi ficar por aqui e ajudar o mais possível na preservação do monumento nacional”, diz.
As histórias contadas por António Caetano são mais que muitas: “Uma vez um ex-presidente da Junta de Freguesia apontou-me uma pistola porque queria construir habitação junto ao mosteiro e eu opus-me. Já faleceu, Deus o tenha em descanso”. As dificuldades de preservação do monumento foram muitas. “Cheguei a colocar a rapaziada de ocupação dos tempos livres a cortar paus para escorar as talhas”.
Foi durante o governo socialista de António Guterres que o Mosteiro sofreu as maiores obras de restauração. “O Guterres veio cá , eu estava ali ao fundo e ele perguntou: Onde está o senhor Caetano, esse herói, que eu quero dar-lhe um abraço”.
Caetano orgulha-se de ter recebido uma medalha de ouro de mérito da Assembleia Municipal de Tarouca e de ter sido entrevistado na SIC. “A Júlia Pinheiro só me disse: Você venceu a guerra, a pistola transformou-se em ouro”.
Neste momento, o Mosteiro necessita da restauração do órgão de tubos. “Já cá vieram técnicos europeus, falta a contribuição do Estado português”. Pode ser que algum deputado eleito hoje ajude, em Estrasburgo, a desbloquear mais essa batalha de Caetano.

MOSTEIRO DE SÃO JOÃO DE TAROUCA

 
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ENTRE VILARINHO E SÃO JOÃO DE TAROUCA

 
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VILARINHO

 
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VILARINHO

 
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TEIXELO

 
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TEIXELO

 
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TEIXELO

 
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VARZEA DA SERRA

 
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terça-feira, 16 de Junho de 2009

VARZEA DA SERRA

 
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PISCINA FLUVIAL DE VÁRZEA DA SERRA

 
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"QUER COMPRAR A MINHA BURRA?"

 
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Os aldeões do interior de Portugal competem no repetitivismo minimalista com os políticos portugueses em campanha. Enquanto estes repetem até à exaustão slogans e acusações sobre a política nacional quando se candidatam a um lugar no Parlamento Europeu, os portugueses que ainda trabalham o campo afirmam quase sempre: "Disso eu não sei..." Depois, regressam à plantação de milho e à criação de gado com a mesma naturalidade com que muitos deputados deixam os restaurantes junto a São Bento, em Lisboa e se voltam a sentar na cadeira atribuída na Assembleia da República.
De cada vez que a enxada sobrevivente de António Coelho Rodrigues, 83 anos, de Vale Abrigoso, rasgar o solo pobre da região de Lamego ou sempre que António tiver de afastar as suas cabras das da vizinha que as traz na estrada vinda de Bigorne, há-de alguém estar a discursar em frente a bandeiras e populares saídos de autocarros. "O que eu faço mesmo é vender gado. Vou às feiras de gado daqui. Nunca saí para fora, aqui há ar puro e eu não gosto de cidade. Quer comprar a minha burra? Quer comprar, eu vendo".
Ali, em Vale Abrigoso, pouco mais de 150 habitantes, a indiferença é recíproca. Para a maioria dos políticos em campanha, Vale Abrigoso não existe e para os aldeões, a política europeia também não. Durão Barroso apelou ao voto no dia sete? “Dia sete vou estar numa chega de bois, quer vir?”, pergunta António Coelho Rodrigues.

ABRIGOSO

 
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ABRIGOSO

 
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ESTRADA BIGORNE-SÃO JOÃO DE TAROUCA

 
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ADEUS À SERRA DE MONTEMURO

 
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"É COMPLICADO VIVER ALI" (CRÓNICA PUBLICADA NO CORREIO DA MANHÃ)

 
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“As eleições autárquicas motivam as pessoas a votar. Mexem com os problemas reais de cada habitante. Estas não. Ainda ontem me perguntaram para que servem as eleições europeias. Ninguém se sente motivado”, explica Paulo Castro, 34 anos, presidente da Junta de Freguesia de Gosende, uma freguesia perdida na Serra de Montemuro, onde não vivem mais de 500 pessoas.
“É complicado viver ali”, diz Paulo, que há muitos anos trabalha e vive em Castro Daire para se poder sustentar. Há dois meses abriu um café e pastelaria na vila. “Vou a Gosende aos fins de semana ou quando o secretário da junta ou o tesoureiro me chamam”. De Inverno, tem de colocar as correntes nos pneus do carro por causa do gelo e da neve. “A Serra de Montemuro não tem limpeza de neve como a Serra da Estrela”.
O turismo na freguesia resume-se a uma casa de turismo rural em Codeçal. “Gostávamos de ter pelo menos um restaurante. Entretanto fui contactado por uma pessoa que quer lançar percursos pedestres pela Serra de Montemuro. Seria muito bom que esse projecto avançasse. Temos paisagens lindíssimas ainda por explorar”.
Ainda à espera do turismo e com apenas alguma criação de gado e plantação de milho e batata, a freguesia vê muitos jovens partirem ou para a campanha das vinhas no Douro ou para a campanha da maçã na França e na Suíça. “As mulheres ficam, eles vão por temporadas”.

GOSENDINHO

 
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GOSENDINHO

 
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GOSENDE

 
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SENHORA DO FÔJO, GOSENDE

 
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CAMPO BEMFEITO

 
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CAMPO BEMFEITO, MONTEMURO

 
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CAMPO BEMFEITO

 
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CAMPO BEMFEITO

 
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CAMPO BEMFEITO, MONTEMURO

 
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ROSSÃO, MONTEMURO

 
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CHEGA DE BOIS EM FAIFA

 
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CHEGA DE BOIS EM FAIFA, MONTEMURO

 
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CHEGA DE BOIS EM FAIFA, SERRA DE MONTEMURO

 
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CHEGA DE BOIS EM FAIFA, MONTEMURO

 
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CHEGA DE BOIS, FAIFA, MONTEMURO

 
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EM VIDEO




 
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VIDEO

 
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CHEGA DE BOIS EM VIDEO



 
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FAIFA

 
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FAIFA

 
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FAIFA

 
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FAIFA

 
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FAIFA

 
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VENDA DE GADO, FAIFA

 
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VENDA DE GADO EM FAIFA

 
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FAIFA,MONTEMURO

 
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MONTEMURO

 
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SERRA DE MONTEMURO





 
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NO TOPO DA SERRA DE MONTEMURO

 
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SERRA DE MONTEMURO

 
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PORTAS DE MONTEMURO (CRÓNICA PUBLICADA NO CORREIO DA MANHÃ)

 
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Ali em cima, a mais de 1.200 metros de altitude as “boutades” de alguns políticos portugueses não chegam, Maria de Belém, Vital Moreira, José Lello ou Paulo Rangel não existem e Eduardo Pereira, 25 anos, tem mais com que se preocupar. Há dois meses que gere a gasolineira PetroMontemuro e o “Portas Bar”, nas Portas de Montemuro. “Isto aqui é complicado de Inverno, não há limpeza de neve”. Nos nevões de 2008, ainda a trabalhar para uma empresa de energia eólica, ficou três dias isolado com outro colega, num contentor, sem comida nem água: “O helicóptero não conseguia aterrar por causa do nevoeiro. Comíamos neve e gelo, rapámos muita fome”.
Ao fim de três dias, arriscaram sair apenas com a farda normal, tendo bombeiros de Castro Daire e de Cinfães no seu encalço. “Tínhamos neve pela cintura”.
Natural de São Tomé de Covelas, concelho de Baião, aos 25 anos Eduardo Pereira, casado e pai de um filho de dois anos, já foi carteiro, já trabalhou na construção civil em Valença, Burgos, Cuenca e nas antenas eólicas em Resende, Vila Pouca de Aguiar e nas Portas de Montemuro. Onde vive, Santa Cruz do Douro, Eduardo ainda amanha vinhas, batata e milho. “Isto aqui em cima é muito bonito mas está desprezado, não há uma placa a assinalar as Portas de Montemuro, não existe uma pousada, nem caixotes do lixo”.
Eduardo, que habitualmente vota Partido Socialista nas autárquicas e nas legislativas, ainda não sabe se vai votar dia 7 de Junho. “O que eu sei é que há muito desemprego em Baião e muitos a irem para a França e para a Bélgica”.

EM MONTEMURO COM SÃO MACÁRIO AO FUNDO

 
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A CAMINHO DAS PORTAS DE MONTEMURO

 
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MONTEMURO

 
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A CAMINHO DAS PORTAS DE MONTEMURO

 
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MÓS, A ÚLTIMA ALDEIA ANTES DA SUBIDA ATÉ ÀS PORTAS DE MONTEMURO

 
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OUTEIRO DE EIRIZ (CASTRO DAIRE)

 
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"ESTÁ TUDO PARA A SUÍÇA!" (CRÓNICA PUBLICADA NO CORREIO DA MANHÃ)

 
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Quem vê António Pinto a pastorear cabras junto à vegetação verdejante que cobre a serra entre Parada de Ester e Eiriz, não imagina que aquele homem de aparência humilde, chapéu de palha e um sorriso ingénuo no rosto, foi proprietário de uma frutaria na Rua do Arsenal, em Lisboa, bem perto do falecido “Rei do Bacalhau”: “Conhecia o homem muito bem e tive muita pena da forma como foi assassinado “- a golpes de cutelo por um ex-empregado.
A vida de António é a de um regressado. “Estas cabras são apenas para me entreter”, explica, enquanto passa junto a mais uma cascata do Ribeiro Sonso, uma daquelas que a temperatura de quase Verão convida a um mergulho e movia muitos moinhos em Mós e Eiriz. “Aqui está quase tudo para a Suíça”, vai informando enquanto passamos por vivendas grandes, algumas com piscina, que aos poucos foram substituindo as velhas casas de xisto e telhado de lousa da região. “Estão fechadas, acabam por só as gozar no Verão, há aqui muitas casas fechadas. António Pinto vive desinteressado da política, tal como outros serranos que encontramos mais acima, na última aldeia antes da subida em corta-mato até às Portas de Montemuro. É fim de semana e Maio um mês de muito trabalho no campo, seja no milho, seja na vinha. De vez em quando, entre socalcos, a Serra de São Macário em frente, um outro casal transporta uma junta de bois ou ajeita a vinha. Ali é tudo a subir. “Eu nunca saí daqui”, explica um rosado e corpulento aldeão a cuidar de três vacas, a última vivalma antes da serra pura e dura. “Durante a semana trabalho na construção mas nunca daqui saí. De Inverno faz um frio do car…”

PARADA DE ESTER

 
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CASCATA EM PARADA DE ESTER EM VIDEO



 
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VITELA OFERECIDA EM MOIMENTA, CABRIL

 
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DESERTIFICAÇÂO EM CABRIL (CRÓNICA PUBLICADA NO CORREIO DA MANHÃ)

 
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“A maioria dos habitantes daqui nem sequer sabem que vai haver eleições europeias e outros sabem mas não ligam aos editais. É algo que não lhes diz nada, estão preocupados com o milho ou com a casa ou com a vinha…”, explica José Gonçalves, 59 anos, presidente socialista da Junta de Freguesia de Cabril, Castro Daire.
Natural de Cabril, neto e filho de emigrantes no Brasil, José sentencia rápidamente o destino da freguesia: “O nosso principal problema foi a maioria da população ter migrado para Lisboa. Muitos foram para a tropa durante a Guerra Colonial, lá abriram os olhos para o mundo mas por lá ficaram, com filhos e netos. Fizeram cá casa mas cada vez vêem menos”. O mesmo já não se passa com os poucos que migraram para o Porto: “São menos mas vêem todos os fins de semana porque a distância é menor”.
O efeito da emigração para o Brasil, França, Alemanha e Lisboa é tanto que mesmo a 15 de Agosto, pelas Festas da Nossa Senhora da Assunção, os que migraram visitam a terra natal em cada vez maior número. “O cordão umbilical partiu-se, resume José Gonçalves, ex-professor em Resende, distrito de Viseu.
Cabril tinha muito potencial agrícola e o seu azeite, há mais de vinte anos, chegou a ser considerado “o melhor do país” por um técnico do IROMA (Instituto Regulador e Orientador dos Mercados Agrícolas). Hoje, a maior parte dos terrenos abandonados, mantem um potencial turístico elevado. A Aldeia de Levadas, na freguesia, já sem habitantes e em xisto e telhados de lousa já foi objecto de cobiça de grupos turísticos. “Infelizmente, as pessoas donas das casas estão para fora mas não querem vender. Para nós, seria óptimo que ali criassem uma aldeia turística”.

CABRIL (CASTRO DAIRE)

 
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CABRIL (CASTRO DAIRE)

 
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A CAMINHO DE CABRIL

 
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FOGO JUNTO À ESTRADA

 
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MEÃS

 
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MEÃS

 
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"A MINHA VIDA DAVA UM FILME"

 
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“Eu “boto” sempre, umas vezes num , outras vezes noutro mas destas eleições não sei de nada”, explica Augusto Gomes, 84 anos, dez filhos, 16 netos e 7 bisnetos. “ Eu não quero nem partido nem clube de futebol e nem tenho tempo para isso”.
“Uh…a minha vida dava um filme melhor que a desses políticos de gravata”. Natural de Meã, Castro Daire, uma aldeia em tempos toda em xisto e lousa, Augusto viveu em Parada de Ester, em Sequeiros (São Pedro do Sul) e na vizinha Grijó, onde se mantem actualmente, sozinho: “Tenho filhos na Austrália, em Lisboa…só um por aqui”.
Augusto conheceu o mundo exterior em 1945, quando assentou praça em Viseu mas, retirando as visitas esporádicas à família, em Lisboa, o seu mundo é o campo e o Rio Paiva. “Fui caseiro de um patrão que sempre me tratou bem. Dava os comeres que cresciam para os meus filhos. Era boa pessoa. Deus o tenha em descanso”.
Filho ilegítimo- “eu era de quarta-feira”- Augusto trabalhou no campo até aos 79 anos e recebe 340 euros de reforma por mês. “ Trabalhava o milho e tinha um patrão com três vacas mas o outro caseiro, que dividia a terra a meio comigo, ficava com elas todas para ele”.
As terras que Augusto, devido a problemas de saúde, já não consegue cultivar, jazem ao abandono. “Pedem 40 euros por dia para as trabalhar, ninguém tem dinheiro para poder pagar isso”. E as fundamentais e prioritárias eleições que já levaram Vital Moreira a falar num imposto europeu e levaram Sócrates e Zapatero de Falcon? “Não sei de nada”, afirma Augusto Gomes.

PARADA DE ESTER

 
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PARADA DE ESTER ( CASTRO DAIRE)

 
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PARADA DE ESTER

 
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RIO PAIVA EM NODAR

 
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TI ANTÓNIO DE RERIZ

 
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O Ti António de Reriz, 78 anos, segura a sua velha e bem usada cana de pesca da Índia entre a estreira ruela de Nodar, onde vive e diz o que lhe vai na alma em relação às eleições europeias: “Eu vou votar. Desde o 25 de Abril que voto PS e vou de motorizada a São Martinho das Moitas para votar”.
O Ti António só saiu de Nodar para uma infrutífera migração para França durante três meses, nos anos 70. “ Por um lado, tenho pena de não me terem dado autorização para trabalhar mas por outro, hoje podia estar morto de trabalho e estou vivo, vivo de ar puro e gelado”.
O Ti António tem pescado no Rio Paiva desde os oito, seguindo rio acima e abaixo e dormindo onde fosse preciso, com os pais e irmãos. “De Cinfães até aqui e daqui até Castro Daire, pescava bogas, bordalo, trutas e enguias -“A melhor enguia do país, enguias de dois quilos e meio. Sabe porquê? Por causa da água do Paiva, limpa, pura. Melhor que a do Vouga e do Douro”.
Desde que proibiram a pesca à rede, primeiro de Castro Daire a Reriz, depois de Reriz a Nodar e mais tarde de Nodar a Alvarenga, já no concelho de Arouca, desistiu de trabalhar “Uma cana dá pouco. Um pescador de cana ganha e gasta a comer muito mais do que ganha”, diz. A alternativa do Ti António à pesca no Paiva passou a ser o cultivo da terra, da batata ao centeio, do trigo ao feijão e hortaliça , da criação de ovelhas à criação de vacas.
O Ti António de Reriz não tem pejo em explicar porque vai votar no Partido Socialista, muito menos tendo como testemunhas alguns vizinhos: “O Sócrates está a ser um bocadinho duro mas o que eu digo é que o chefe de todos tem que ir a casa buscar dinheiro para pagar a dívida. É o que ele está a fazer…”

"NÃO TENHO FÉRIAS" (CRÓNICA PUBLICADA NO CORREIO DA MANHÃ)

 
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“O presidente disse para não irmos de férias no dia das eleições europeias? Eu não tenho férias, nunca tirei férias”, explica Fátima Marques, 47 anos, um sorriso triste que não esconde desalento e dificuldades. Há nove anos, desempregada- trabalhava no matadouro local-aceitou o desafio de aprender tecelagem. Com ajudas comunitárias e da autarquia, aprendeu a tecer juntamente com outras mulheres sem trabalho. Ao fim de um ano, no âmbito da Associação de Artesãos de São Pedro do Sul, instalaram-se na antiga estação de caminhos de ferro. “Nunca tinha visto um tear, aprendi do zero”, diz. “Mesmo assim, nunca se sabe tudo, aprende-se o básico e tenta-se sempre ir melhorando”.
Como a venda de artesanato não era suficiente para se governarem, criaram um restaurante. Hoje, são cinco mulheres a cozinhar, tecer e a servir às mesas. “Fazemos tudo mas está complicado. As pessoas evitam fazer compras por causa da crise e viver apenas do artesanato é impossível”. Com o que ganham, ao fim do mês, conseguem viver com o salário mínimo. “Vai-se buscar ali e acolá, gasta-se tudo mas vai-se tentando viver”, explica uma cansada Fátima Marques, demasiado preocupada em sobreviver para seguir a campanha eleitoral ou se preocupar em votar.
. “Eu costumo a pôr sempre o voto mas não vivo de política, vivo de trabalho e não sigo a campanha eleitoral. Hoje estão lá uns, amanhã outros, temos de nos dar bem com todos”.

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

CRÓNICA PUBLICADA NO CORREIO DA MANHÃ

 
O tempo parou em Sequeiros, um pé no Rio Paiva, as costas viradas para a Serra de São Macário e os olhos postos na parede verde e castanha da Serra de Montemuro. Donzília Cipriano, 50 anos, está atrás de um balcão deserto do Café “Flor do Campo” a descansar de uma manhã a tratar da batata. Donzília, uma ex-empregada de hotelaria, ex-operária numa fábrica de relógios e ex-funcionária de um lar de idosos ne Suíça vê o seu futuro e o da região em tons pálidos, cinzentos como os das nuvens que pairam sobre Montemuro. “Este país está todo ao contrário, investem em grandes obras e não investem no turismo no interior. Se fosse na Suíça, já havia há muitos anos um hotel no topo da Serra e um teleférico que trouxesse os turistas por cima da Aldeia da Pena para o lado de cá”, diz.
Donzília tem muitas ideias mas nenhum poder nem dinheiro. “Temos aqui paisagens tão bonitas como na Suíça. Já foi ao Rio Paiva? Nem uma praia fluvial temos”. Donzília, há muito arrependida de ter deixado o país dos relógios e chocolates- “foi a maior burrice que fiz na vida”- fala como uma visionária: “Trazíamos os estrangeiros aqui aos nossos rios, montanhas, vales, fazíamos passeios entre as aldeias, mostravamos a vida nos campos. Assim, ninguém vem e vai tudo embora. Isto aqui está morto. Os poucos jovens que vivem aqui querem ir embora porque não há trabalho.”
Entusiasmada com o rumo dos seus sonhos e dos seus planos turísticos, Donzília vai buscar vinho, salpicão, presunto, num acto de generosidade difícil de encontrar nos grandes centros onde o poder político investe. “Mais um aeroporto? Mais uma ponte em Lisboa? Para os nossos últimos rapazes e raparigas irem para lá trabalhar e viver?”
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SEQUEIROS

 
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CRÓNICA PUBLICADA NO "CORREIO DA MANHÃ"

 
“Nem eleições nem gripe nem nada. A mim, preocupa-me a minha vida e da minha família. Sobreviver aqui não é fácil. No Inverno ando aqui a falar com as paredes”, explica Alfredo de Brito, 38 anos, um dos sete habitantes da Aldeia da Pena, São Macário, concelho de São Pedro do Sul. Dantes, a aldeia era famosa pela história do morto que matou o vivo. Sem cemitério nem estrada de acesso, era preciso transportar os falecidos em urna até à vizinha Covas do Rio. Um dia, um aldeão deixou escorregar o caixão e este matou outro. Assim o morto matou o vivo. Hoje, a pequena aldeia, longe de tudo e todos, é mais conhecida pela Mariana, 9 anos, filha de Brito e que uma reportagem televisiva da jornalista da RTP, Mafalda Gameiro celebrizou. A Aldeia da Pena só resiste porque Alfredo, serrano da Serra da Estrela e ex-cozinheiro em Lisboa e na Suíça, decidiu instalar-se de armas e bagagens na aldeia da esposa, criar ali uma família e montar um restaurante. Amante da natureza, Brito viu a sua história de resistência rural ganhar impacto com a reportagem sobre Mariana, que entretanto tem já uma irmã, a Margarida, 2 anos. “Vem gente de todo o lado só para ver a Mariana ou trazer-lhe prendas. Não é fácil criar uma criança aqui. De Verão, isto é um espectáculo. De Inverno é complicado porque não há limpeza da neve. É quando aproveito para trabalhar em artesanato”. A Aldeia poderia ter mais habitantes. “As pessoas pedem muito dinheiro pelas casas, fica mais difícil. Só sei que se eu não estivesse aqui a Aldeia da Pena já não existia”. E a Mariana, “a menina da Pena”, a primeira criança a nascer ali em 34 anos, também não.
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JACÓ, O PAPAGAIO DA PENA

 
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MARGARIDA, A SEGUNDA "MENINA DA PENA"

 
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ALDEIA DA PENA AO LONGE

 
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ALDEIA DA PENA

 
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SÃO MACÁRIO

 
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SÃO MACÁRIO

 
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COVAS DO MONTE DO LADO DE SÃO MACÁRIO

 
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COVAS DO MONTE

 
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CHEGADA DAS CABRAS (VIDEO)

CRÓNICA PUBLICADA NO "CORREIO DA MANHÃ"

 
Um dia o falecido pai de José da Cruz, 58 anos, pediu-lhe para regressar a Covas do Monte. Covas do Monte é uma aldeia de pouco mais de 50 habitantes e quase três mil cabras encaixada num vale paradisíaco por debaixo do Portal do Inferno, em pleno Maciço da Gralheira. José largou a confusão de Montparnasse, Paris, onde viveu e trabalhou 16 anos como motorista e a asfaltar estradas e regressou à ruralidade. Há três mandatos que é presidente da junta de freguesia pelo Partido Socialista. Por ali, não há muitos aldeões interessados ou que saibam o que são eleições europeias. “Considero-me português mas acho importante que vá para lá um português gerenciar as nossas coisas”, diz José, depois de ter largado o enorme rebanho de cabras que possui, ter amanhado as terras para plantar o milho.
No largo de Covas do Monte, os idosos vivem num mundo à parte, que só não se extingue graças à força de vontade de José e dos filhos. Os cerca de dez jovens da aldeia viajam todos os dias até São Pedro do Sul para irem à escola, 25 quilómetros de montanha para cada lado. Lisboa é distante, o euro é como se não existisse e a Europa uma miragem. Alguns nunca saíram dali. “Eu trabalhei na Oeiras e na Odivelas, a construir dois liceus, sofri muito mas agora nunca mais lá fui, são muitos contos, dizem...”, conta um.
José da Cruz sonha com apoios que permitam manter a ruralidade extinta em muitas aldeias em redor. “Que piada vai ter um dia você chegar ali acima, ao Portal do Inferno e só ver estevas e uma mancha castanha onde agora é tudo verdinho?”
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COVAS DO MONTE VISTA DO PORTAL DO INFERNO

 
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PORTAL DO INFERNO

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE

 
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COVAS DO MONTE