Durante alguns dias, passava sempre à hora do pequeno almoço pela pastelaria de Osvaldinho, fascinado com as fotos e toda a história emanada daqueles retratos. O centro histórico oferecia-me a História portuguesa, a mim e a dezenas de turistas afogueados, de máquina fotográfica ao tiracolo, garrafa de água na mochila, mapa na mão, à procura de vestígios do nascimento de uma nação. Ali, Osvaldinho oferecia toda uma outra, interligada, uma vez que o Vitória é um símbolo vivo da cidade onde Portugal nasceu e não há recanto onde não sejamos confrontados com o emblema do clube.
“Já vais?”, perguntou Osvaldinho. Estivemos uma meia hora, 45 minutos a recordar os bons velhos tempos, a falar de treinadores de futebol que o marcaram, de Mário Wilson e Pedroto a Fernando Caiado. Recordámos o dia dos anos 70 em que ofereceu quase mil contos de receita do jogo de homenagem à escola de crianças inadaptadas da cidade. “Nasci muito pobre”, explicou-me o alentejano de Beja, “jogava descalço, sei o que são dificuldades”.
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