
O Ti Joaquim tem 85 anos e não faz conta de quantas croças fez. "Antigamente, toda a gente usava as croças para ir para o monte com o gado". Joaquim, ele próprio pastor e agricultor, começou por usar croças compradas em Montalegre. "Demoravam pouco tempo, não enxugavam bem, apodreciam. Eu desmanchei o cabeção de uma delas e fui tentando aprender sózinho e aprendi..." O sorriso do Ti Joaquim é tímido, de aldeão que procura entender o porquê de lhe darmos tanta atenção e atribuírmos ao seu estatuto de último croceiro tanta importância. "E é assim..." e encolhe os ombros.
"De dia ía com o gado para o monte. Ao serão, fazia as croças. Eu era o único a fazer esta parte dos ombros. Ó depois começaram a encomendar-ne croças, uns pagavam, outros pediam por favor..."
Naquele tempo, o junco para executar a croça não abundava como hoje. "Tinha de ir a pé buscar o junco longe porque toda a gente usava o junco. Depois, era chegar a casa, maçá-lo, pô-lo ao sol, penteá-lo com um pente de arames porque os dentes do pente é que esfarrapavam o junco e havia o junco de dentro e o de fora. Não pagava o trabalho..."
A croça criava uma parede intransponível onde não entrava nem neve nem chuva mas que ía pesando à medida que encharcava. "Era pesado mas era muito melhor que essas capas de oleado", remata o Ti Joaquim.
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