
Os estômagos confortados com vinho, feijão, morcela, muita carne, os caçadores partem para o terreno, nas imediações de Seixo da Beira, em cima de reboques de tractores, preparados para ocupar as posições nas portas que lhes foram destinadas na lotaria. A organização de uma montaria não é fácil. O Clube de Caça e Pesca de Seixo da Beira esperava cerca de 100 caçadores, vieram uns 85. A época da montaria ao javali está a terminar e é uma das últimas oportunidades de dar ao gatilho.
Os caçadores pertencem às profissões mais diversas. Há doutores, aldeões, comerciantes. Uns vestem a rigor, outros contentam-se com vestes mais modestas. Uns trazem caçadeiras, outros carabinas, uns transportam a arma em malas de madeira, outros em sacolas de cores camufladas. Todos respiram uma paixão viciante pela caça.
A caminho da montaria, em cima dos tractores, trocam-se os mais diversos relatos, histórias, sensações: Daquela vez que em Vila Viçosa um javali se atravessou ao caminho e levou tantas balas ou da outra em que um caçador confundiu um cão com um javali e o matou. “È da ganância…O gajo depois ofereceu dois cães ao dono da matilha mas é a mesma coisa? Algum cão sem treino substitui aqueles?”
Fala-se dos animais e das ocasiões de caça com a naturalidade e paixão com que um futebolista recorda o seu último drible ou golo: “Car…, eu ali parado e aparece-me o veado a saltitar a uns cinco metros. Ficou a olhar para mim de olhos arregalados uns segundos. Foi logo “tau”…mais um segundo e deixava-o fugir”.
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