
Acabara de passar pela placa de Alcafache quando me começou a remoer no cérebro a memória da maior tragédia ferroviária de que há memória em Portugal. Tudo aconteceu ali a 11 de Setembro de 1985. O Sud-Express, uns 200 metros, 10 ou 12 carruagens, directo a Paris com cerca de 300 passageiros a bordo embateu de frente com um comboio regional com destino a Coimbra, ambos a 90 quilómetros à hora. O resto foi um horror, as imagens lancinantes que me lembro de ver pela televisão, os mais de cem mortos. Larguei a estrada movimentada entre Mangualde e Nelas e por ali fiquei, entre receptáculos de plástico para velas há muito ardidas, flores que murcharam e um painel muito bonito que me transportou de novo às imagens da época, carruagens emaranhadas numa encenação de horror, um homem a gritar "Perdi a minha mulher!", o então primeiro-ministro acabado de chegar de helicóptero: "Estamos todos aqui, o senhor ministro de..."
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