Em Sobral da Adiça, estava a deixar a terra quando ouço chamar de um acampamento de ciganos: "então, já vais? Senta aqui um pouco". Larguei a mochila e logo fui rodeado por um bando de crianças nuas, um patriarca de cinto na mão que os afastava como moscas sempre que lhe apetecia. Bastou um ou dois minutos para me pedirem dinheiro: "Ei, dá dinheiro, somos pobres..." Quando dei dinheiro a uma cigana, logo outra replicou: "Ehhh e a mim? Ela é má, nã dá nada a mim..."
Tinha acabado de almoçar, deu-me o sono. Coloquei a mochila por trás da cabeça e dormitei, um olho fechado e outro aberto, junto a uma carroça. "Isso", disse o patriarca, "dorme aí uma bela sesta..." Às tantas, foi buscar uma manta e uma lona para eu não estar com as costas na relva. O mais surrealista aconteceu depois, ao fim da sesta. O patriarca e um rapaz mais velho, que me havia pedido dinheiro, saíram os dois alegremente num...automóvel.


Sem comentários:
Enviar um comentário