
O agricultor observa-me expectante, como que a perguntar porque é que um homem de mochila às costas tem de lhe tirar fotografias a meio de uma sombria tarde de Inverno. Adiante, avistei um carro celular e homens nos campos que pararam quando me viram. Um homem surgiu de enxada às costas na estrada desértica. "São presos?", perguntei. Que sim, respondeu, a mirar-me da cabeça aos pés. "Vais a pé? Daqui a Santulhão é um pedaço grande..." Os presos mantiveram-se como estátuas a observar-me. Imaginei que, para eles, eu seria assim como que um símbolo da mais pura das liberdades. Apressei o passo, um nó no estômago. Daí a pouco regressariam às celas e eu tinha muito que palmilhar.
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