DIÁRIO DE VIAGEM DO JORNALISTA NUNO FERREIRA (EX-EXPRESSO, EX-PÚBLICO) QUE ATRAVESSOU PORTUGAL A PÉ ENTRE FEVEREIRO DE 2008 E NOVEMBRO DE 2010. O BLOG INCLUI TODAS AS CRÓNICAS PUBLICADAS NA REVISTA "ÚNICA" EM 2008, BEM COMO AS QUE SÃO PUBLICADAS SEMANALMENTE NO SITE CAFÉ PORTUGAL. (Travel diaries of Nuno Ferreira, a portuguese journalist who crossed Portugal on foot from February 2008 to November 2010. contact: nunoferreira62@gmail.com ou nunocountry@gmail.com

25/05/09

CRÓNICA PUBLICADA NO "CORREIO DA MANHÃ"

 
“Nem eleições nem gripe nem nada. A mim, preocupa-me a minha vida e da minha família. Sobreviver aqui não é fácil. No Inverno ando aqui a falar com as paredes”, explica Alfredo de Brito, 38 anos, um dos sete habitantes da Aldeia da Pena, São Macário, concelho de São Pedro do Sul. Dantes, a aldeia era famosa pela história do morto que matou o vivo. Sem cemitério nem estrada de acesso, era preciso transportar os falecidos em urna até à vizinha Covas do Rio. Um dia, um aldeão deixou escorregar o caixão e este matou outro. Assim o morto matou o vivo. Hoje, a pequena aldeia, longe de tudo e todos, é mais conhecida pela Mariana, 9 anos, filha de Brito e que uma reportagem televisiva da jornalista da RTP, Mafalda Gameiro celebrizou. A Aldeia da Pena só resiste porque Alfredo, serrano da Serra da Estrela e ex-cozinheiro em Lisboa e na Suíça, decidiu instalar-se de armas e bagagens na aldeia da esposa, criar ali uma família e montar um restaurante. Amante da natureza, Brito viu a sua história de resistência rural ganhar impacto com a reportagem sobre Mariana, que entretanto tem já uma irmã, a Margarida, 2 anos. “Vem gente de todo o lado só para ver a Mariana ou trazer-lhe prendas. Não é fácil criar uma criança aqui. De Verão, isto é um espectáculo. De Inverno é complicado porque não há limpeza da neve. É quando aproveito para trabalhar em artesanato”. A Aldeia poderia ter mais habitantes. “As pessoas pedem muito dinheiro pelas casas, fica mais difícil. Só sei que se eu não estivesse aqui a Aldeia da Pena já não existia”. E a Mariana, “a menina da Pena”, a primeira criança a nascer ali em 34 anos, também não.
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2 comentários:

Anónimo disse...

A aldeia continuaria a existir, mas desabitada como tantas outras.

MARIA AMELIA VET disse...

ALFREDO UM PIONEIRO CORAJOSO...UM PORTUGUES...AS ALDEIAS ONDE AS RAIZES ESTAO MAIS PROFUNDAS.... VAMOS VISITAR...ESPERO IR LA...AMEIA AS CASAS DE PEDRA...

 
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