DIÁRIO DE VIAGEM DO JORNALISTA NUNO FERREIRA (EX-EXPRESSO, EX-PÚBLICO) QUE ATRAVESSOU PORTUGAL A PÉ ENTRE FEVEREIRO DE 2008 E NOVEMBRO DE 2010. O BLOG INCLUI TODAS AS CRÓNICAS PUBLICADAS NA REVISTA "ÚNICA" EM 2008, BEM COMO AS QUE SÃO PUBLICADAS SEMANALMENTE NO SITE CAFÉ PORTUGAL. (Travel diaries of Nuno Ferreira, a portuguese journalist who crossed Portugal on foot from February 2008 to November 2010. contact: nunoferreira62@gmail.com ou nunocountry@gmail.com
08/05/09
25/04/09
ENTREVISTA COM JOÃO PAULO MENESES NA TSF
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1016877&audio_id=1204639
10/04/09
ABRIL AZIAGO
30/03/09
ENFIM...O MAR...
Depois de tantas serras, no topo da Cruz Alta, no Buçaco, senti pela primeira vez não só o apelo do mar como a sensação de estar lá perto. Um grupo de crianças e respectivos monitores de uma Escola Básica de Febres ouviam o motorista a explicar onde ficava Febres, Cantanhede. De repente, apontou para a linha azulada e desfocada lá ao fundo e disse: "E ali, é o mar". A quantos quilómetros? O homem coçou a cabeça: "Em linha recta? Uns 50 quilómetros". Deixei o Luso da época baixa posto em sossego- "eles só querem é vender a água, esqueceram-se de modernizar as termas" e avancei em direcção à Mealhada.

A caminho da Praia do Furadouro, Março de 2009
Largar a serra e enveredar pelo litoral mais industrializado e por estradas movimentadas também tem os seus inconvenientes. Passei a ver, saídas dos eucaliptos ou postadas em curvas estratégicas, prostitutas de estrada. Num caso concreto, passei a tempo de ver um BMW de alta cilindrada a saír de um atalho de terra batida onde ficou uma jovem. À medida que avançava em direcção a Cantanhede, o trânsito aumentava. A EN 234 já me tinha trazido dissabores na zona mais industrializada de Mangualde-camiões, viaturas ligeiras em velocidade-, curvas e contra-curvas entre Mortágua e o Luso e agora, de novo, a civilização. Desisti de percorrer a recta incaracterística que liga Cantanhede a Mira e enveredei pela Gândara profunda: mulheres vestidas de bata e chapéus de palha passando de bicicleta,motoretas V5 Famel-Zundapp com aquelas capas para a chuva conduzidas por homens com capacetes de outras eras, vivendas de emigrantes da Venezuela com azulejos de Simão Bolívar, igrejas brancas, terrenos verdes e férteis roubados ao mar e aquele sotaque da beira-mar aveirense: "Andas a pé? Bais escrever aqui o teu endereço, o meu primo em França bai gostar de ber, ele também tem uma página sobre aqui a nossa terra (Covão do Lobo). E faz boa viagem e que Deus te acompanhe!"

À medida que me ia aproximando de Vagos, pelo dédalo de casas baixas com a porta para a entrada do gado e vivendas de azulejos azuis e bandeiras de Portugal e Venezuela, foram aparecendo sinais desportivos diferentes: emblemas do Futebol Clube do Porto, como até agora nunca vira e, claro, posters do Beira-Mar: "Esta foto aqui", disse-me o dono de uma pequena bomba de gasolina perdida na planície e depois de a ir buscar a uma prateleira alta, "esta aqui é dos anos 90. O Rodolfo era o treinador? Tás a ver o Dinis, o das barbas, como defesa central? E ainda foi no velho Mário Duarte, é anos 90, de certeza".

Em Vagos já cheira a maresia. Há uma longa ciclovia ligando Vagos à Vagueira e à Praia da Vagueira, rodeada pelos pinheiros da mata de Vagos. Percebi que estava a chegar à Vagueira quando vi um barco da pesca da Xávega. Uns passos mais à frente atravessava os prédios incaracterísticos da Vagueira e estava de frente para o mar, o mar de Aveiro, homens de casaco aos quadriculados meio empoleirados nas bicicletas a comentar o estado das ondas, o vento. A pesca da xávega na Vagueira ainda não havia começado mas apenas a possibilidade de alcançar de novo o vai-vém azul e branco das marés reconfortou-me. Isso e uma bela caldeirada de enguias à beira da minúscula, quase artesanal lota da Vagueira. A viagem continua, agora com o cheirinho a maresia, sal a varrer-me as narinas e areia aveirense a entranhar-se-me no cabelo.

A caminho da Praia do Furadouro, Março de 2009
Largar a serra e enveredar pelo litoral mais industrializado e por estradas movimentadas também tem os seus inconvenientes. Passei a ver, saídas dos eucaliptos ou postadas em curvas estratégicas, prostitutas de estrada. Num caso concreto, passei a tempo de ver um BMW de alta cilindrada a saír de um atalho de terra batida onde ficou uma jovem. À medida que avançava em direcção a Cantanhede, o trânsito aumentava. A EN 234 já me tinha trazido dissabores na zona mais industrializada de Mangualde-camiões, viaturas ligeiras em velocidade-, curvas e contra-curvas entre Mortágua e o Luso e agora, de novo, a civilização. Desisti de percorrer a recta incaracterística que liga Cantanhede a Mira e enveredei pela Gândara profunda: mulheres vestidas de bata e chapéus de palha passando de bicicleta,motoretas V5 Famel-Zundapp com aquelas capas para a chuva conduzidas por homens com capacetes de outras eras, vivendas de emigrantes da Venezuela com azulejos de Simão Bolívar, igrejas brancas, terrenos verdes e férteis roubados ao mar e aquele sotaque da beira-mar aveirense: "Andas a pé? Bais escrever aqui o teu endereço, o meu primo em França bai gostar de ber, ele também tem uma página sobre aqui a nossa terra (Covão do Lobo). E faz boa viagem e que Deus te acompanhe!"

À medida que me ia aproximando de Vagos, pelo dédalo de casas baixas com a porta para a entrada do gado e vivendas de azulejos azuis e bandeiras de Portugal e Venezuela, foram aparecendo sinais desportivos diferentes: emblemas do Futebol Clube do Porto, como até agora nunca vira e, claro, posters do Beira-Mar: "Esta foto aqui", disse-me o dono de uma pequena bomba de gasolina perdida na planície e depois de a ir buscar a uma prateleira alta, "esta aqui é dos anos 90. O Rodolfo era o treinador? Tás a ver o Dinis, o das barbas, como defesa central? E ainda foi no velho Mário Duarte, é anos 90, de certeza".

Em Vagos já cheira a maresia. Há uma longa ciclovia ligando Vagos à Vagueira e à Praia da Vagueira, rodeada pelos pinheiros da mata de Vagos. Percebi que estava a chegar à Vagueira quando vi um barco da pesca da Xávega. Uns passos mais à frente atravessava os prédios incaracterísticos da Vagueira e estava de frente para o mar, o mar de Aveiro, homens de casaco aos quadriculados meio empoleirados nas bicicletas a comentar o estado das ondas, o vento. A pesca da xávega na Vagueira ainda não havia começado mas apenas a possibilidade de alcançar de novo o vai-vém azul e branco das marés reconfortou-me. Isso e uma bela caldeirada de enguias à beira da minúscula, quase artesanal lota da Vagueira. A viagem continua, agora com o cheirinho a maresia, sal a varrer-me as narinas e areia aveirense a entranhar-se-me no cabelo.
25/03/09
PORTUGAL A PÉ NO "JANELA INDISCRETA" DE PEDRO ROLO DUARTE
Agradecimentos a Pedro Rolo Duarte aos sites de onde recolhi imagens da terrível tragédia em Alcafache: Mangualde Online, Bombeiros de Mangualde, Bombeiros de Canas de Senhorim, Câmara Municipal de Mangualde.
Continuo, entretanto, à procura de um patrocínio.
Quando comecei em Fevereiro de 2008, em Sagres, tinha a almofada confortável de uma publicação, o semanário "Expresso". Publiquei crónicas todas as semanas na revista "Única" até ao dia 6 de Setembro do ano passado, quando estas deixaram de ser publicadas. Neste momento, para terminar de forma séria e profissional a viagem, cobrindo um roteiro que passa pela Beira Litoral, Beira Alta, Trás-os-Montes, Douro Litoral e finalmente o Minho até à etapa final de Lamas de Mouro (Melgaço) preciso de apoio ou apoios, um patrocínio.
Contacto: nunocountry@gmail.com
Crónicas e fotos serão, naturalmente, publicadas em livro.
HELP SPONSOR NEEDED
When I started my journey, in Sagres Cap, I was writing for a newspaper. Now, since September, I am on my own and I need a sponsor to help me finish my way through Beira Litoral, Beira Alta, Trás-os-Montes, Douro Litoral and at last, Minho province, where I want to finish my Portugal on foot trip.
I am going to publish everything on a book.
Contact: nunocountry@gmail.com
CAMINHO PERCORRIDO DESDE FEVEREIRO DE 2008 (MY WAY SINCE FEBRUARY)

Partida de Sagres a 23 de Fevereiro de 2008. Neste momento encontro-me em Ovar.Para aceder à parte inicial da viagem clicar no final em MENSAGENS ANTIGAS.
I started my trip in Sagres Cap, Algarve. I am now in Ovar.
MEMÓRIAS ( VIDEO MEMORIES OF MY TRAVEL ON FOOT)
OUTROS VIDEOS (OTHER VIDEOS): http://www.youtube.com/user/countrynuno
BIO DE NUNO FERREIRA
![ATYAAADiobwcA7poPph77sgLlzIBMhD3RJwC9xOEIgiFkBmBdqQR9YIgtKkqynNOMxsHtc7VpOwjAMwHoyCd4N7mqF_xAJtU9VB49X_KaRhNKXO8B5N_yzPbrbibRQ[1]](http://farm4.static.flickr.com/3277/3045958055_667c439e01_m.jpg)
Natural de Aveiro, onde nasceu em 1962, Nuno Ferreira licenciou-se em comunicação social na Universidade Nova de Lisboa. Foi colaborador permanente do semanário Expresso de 86 a 89, ano em que ingressou nos quadros do jornal Público, onde se manteve até Setembro de 2006. Nos últimos 20 anos fez todo o tipo de reportagens de cariz social, primeiro na revista do Expresso e mais tarde em diversas secções do Público (Sociedade, Local e Pública). Neste último, manteve uma crónica satírica intitulada “Ficcões do País Obscuro” e escreveu sobre música popular americana. Entre outros prémios, recebeu em 96 o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube de Jornalistas do Porto com o trabalho “Route 66 a Estrada da América”, que lhe valeu também uma menção honrosa da Fundação Luso-Americana. Um ano mais tarde, recebeu o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube Português de Imprensa com o trabalho “A Índia de Comboio”. Em 2007 publicou conjuntamente com Pedro Faria o livro "Ao Volante do Poder" na editora Bertrand
( http://www.wook.pt/product/product/id/197543)
Nuno Ferreira was born in Aveiro, Portugal, in 1962. He has a degree of journalism. Nuno worked for Lisbon "Expresso" weekly newspaper from 86 till 89. Then, he worked on Lisbon "PUBLICO" newspaper staff from 89 till 2006. He won a portuguese travel journalism award for "Route 66 America's Road" in 96 and a year later he won another award for "India By Train". Nuno Ferreira published a book in 2007 called "Ao Volante do Poder" ("On Power's Wheel")and he's now working as a freelancer.
ENTREVISTA NA ANTENA UM NO PROGRAMA DE JORGE AFONSO AQUI:
http://tv1.rtp.pt/multimedia/programa.php?hist=1&prog=2754
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