DIÁRIO DE VIAGEM DO JORNALISTA NUNO FERREIRA (EX-EXPRESSO, EX-PÚBLICO) QUE ATRAVESSOU PORTUGAL A PÉ ENTRE FEVEREIRO DE 2008 E NOVEMBRO DE 2010. O BLOG INCLUI TODAS AS CRÓNICAS PUBLICADAS NA REVISTA "ÚNICA" EM 2008, BEM COMO AS QUE SÃO PUBLICADAS SEMANALMENTE NO SITE CAFÉ PORTUGAL. (Travel diaries of Nuno Ferreira, a portuguese journalist who crossed Portugal on foot from February 2008 to November 2010. contact: nunoferreira62@gmail.com ou nunocountry@gmail.com

25/02/09

CARNAVAL DE CABANAS DE VIRIATO 24 DE FEVEREIRO DE 2009

cabanas 019
A atravessar a região, não podia de espreitar a Dança dos Cús na vila que reivendica para si a naturalidade de Viriato.

ENSOPADO DE ENGUIAS EM CABANAS DE VIRIATO

cabanas 001
Estava a comer um ensopado de enguias, a preparar-me para o desfile carnavalesco quando passou por mim um esfomeado folião mais a família. O desespero estampado no rosto fez-me ter pena dele. Dirigi-me à mesa e ofereci-lhe um pouco de ensopado enquanto esperava desesperadamente pelo prato. Declinou o convite. Daí a uns 15 minutos, aparece-me junto à minha mesa de prato na mão: "Olhe, vou aceitar, não aguento mais!" A minha tigela acabaou a saciar a fome dele e da família. Ficámos também a saber que somos vizinhos. Eu moro na Caparica, ele, filho de Cabanas, na Cova da Piedade. "Amanhã, às 5h30 da manhã, já estou a conduzir autocarros de Cacilhas para o Almada Fórum".
cabanas 005
O solar do grande Aristide de Souza Mendes, comprado em 2001 pela Fundação Mário Soares e ainda à espera de reabilitação.
cabanas 022
cabanas 012
cabanas 055
O desfile começa junto ao Solar de Aristide de Souza Mendes
cabanas 010
cabanas 051
cabanas 096
cabanas 062
cabanas 110

A BEIRÃ E A BEIRÃZINHA

cabanas 084
De repente, entre os foliões, uma beirã e uma beirãzinha
cabanas 136
"Deixa-me ver o que se passa aqui fora"
cabanas 108
"Mãe, não podemos desfilar?"

A RAPAZIADA E O CORSÁRIO

cabanas 134
A rapaziada da vila instalou-se num muito beirão muro de pedra para apreciar melhor as vistas e acabou a ser desafiada por este corsário e espadachim.
cabanas 186
cabanas 162
cabanas 187

22/02/09

MONTARIA AO JAVALI EM SEIXO DA BEIRA (OLIVEIRA DO HOSPITAL) 21 DE FEVEREIRO DE 2009

 
Posted by Picasa

Vinha a atravessar Seixo da Beira, crianças brincando ao Carnaval em mais um dia soalheiro, quando deparei com cartazes a anunciar uma montaria ao javali organizada pelo clube de caça e pesca local. Os organizadores e os donos do Restaurante Cristina, foram inexcedíveis e permitiram-me acompanhar toda a montaria do passado sábado.
 
Posted by Picasa

Os caçadores, de todas as classes e origens, começam a chegar às 8h30, uns em carros modestos, outros em jeeps, indumentárias variadas. Às 11h00, terminadas as inscrições, os proprietários do Restaurante Cristina, começam a servir a comida e a bebida que confortará os estômagos dos caçadores até estes regressarem do mato às
16h00.

TOCA A COMER

 
Posted by Picasa
 
Posted by Picasa

"Então e o jornalista não come?"
 
Posted by Picasa
 
Posted by Picasa

Já se comeu, passe-se à lotaria das portas onde vão ficar localizados os caçadores.
 
Posted by Picasa

LOTARIA DAS PORTAS

 
Posted by Picasa

MATILHA BRINQUINHO

 
Posted by Picasa

Os cães da famosa matilha Brinquinho, de Nogosela, Santa Comba Dão, à espera de entrar em acção.
 
Posted by Picasa

TERRENO "VARRIDO" POR JAVALIS NA VÉSPERA

 
Posted by Picasa
 
Posted by Picasa

Podia ser um miliciano nos Balcãs. É um caçador da zona da Bairrada.

O TI ZÉ VAI FUGIR DA "GUERRA"

 
Posted by Picasa

"Então Ti Zé, não ficar para ver a montaria?"
"Eu? Eu sou velho mas não quero morrer já!"

A PORTA

 
Posted by Picasa

Os caçadores inspeccionam as melhores posições na porta que lhes foi distribuída.

"LÁ VAI ELE!" (CRÓNICA)

 
Posted by Picasa


Os estômagos confortados com vinho, feijão, morcela, muita carne, os caçadores partem para o terreno, nas imediações de Seixo da Beira, em cima de reboques de tractores, preparados para ocupar as posições nas portas que lhes foram destinadas na lotaria. A organização de uma montaria não é fácil. O Clube de Caça e Pesca de Seixo da Beira esperava cerca de 100 caçadores, vieram uns 85. A época da montaria ao javali está a terminar e é uma das últimas oportunidades de dar ao gatilho.
Os caçadores pertencem às profissões mais diversas. Há doutores, aldeões, comerciantes. Uns vestem a rigor, outros contentam-se com vestes mais modestas. Uns trazem caçadeiras, outros carabinas, uns transportam a arma em malas de madeira, outros em sacolas de cores camufladas. Todos respiram uma paixão viciante pela caça.
A caminho da montaria, em cima dos tractores, trocam-se os mais diversos relatos, histórias, sensações: Daquela vez que em Vila Viçosa um javali se atravessou ao caminho e levou tantas balas ou da outra em que um caçador confundiu um cão com um javali e o matou. “È da ganância…O gajo depois ofereceu dois cães ao dono da matilha mas é a mesma coisa? Algum cão sem treino substitui aqueles?”
Fala-se dos animais e das ocasiões de caça com a naturalidade e paixão com que um futebolista recorda o seu último drible ou golo: “Car…, eu ali parado e aparece-me o veado a saltitar a uns cinco metros. Ficou a olhar para mim de olhos arregalados uns segundos. Foi logo “tau”…mais um segundo e deixava-o fugir”.
 
Posted by Picasa


Descidos dos tractores, os homens no grupo – há apenas duas caçadoras – inspeccionam o terreno como farejadores profissionais. “’Tá a ver aqui o campo todo revolvido? Os javalis andaram aqui esta noite. Esta porta vai ser boa, eles hão-de de estar por aqui”.
Três caçadores partilham a mesma porta mas escolhem posições diferentes e combinam estratégias: “Eu vou ficar aqui, vai ficar aí? Ok, eu só disparo naquela e naquela direcção”. As encostas e vales circundantes enchem-se de caçadores, cada um na sua posição. A regra é o silêncio até ser largado o primeiro foguete e a montaria começar.
 
Site Meter