DIÁRIO DE VIAGEM DO JORNALISTA NUNO FERREIRA (EX-EXPRESSO, EX-PÚBLICO) QUE ATRAVESSOU PORTUGAL A PÉ ENTRE FEVEREIRO DE 2008 E NOVEMBRO DE 2010. O BLOG INCLUI TODAS AS CRÓNICAS PUBLICADAS NA REVISTA "ÚNICA" EM 2008, BEM COMO AS QUE SÃO PUBLICADAS SEMANALMENTE NO SITE CAFÉ PORTUGAL. (Travel diaries of Nuno Ferreira, a portuguese journalist who crossed Portugal on foot from February 2008 to November 2010. contact: nunoferreira62@gmail.com ou nunocountry@gmail.com

22/02/09

BALAS

 
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"Eles que apareçam à minha frente, encho-os de balas!"
 
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O tempo de espera pelos primeiros latidos dos cães e gritos dos monteiros é grande. As matilhas começam a percorrer as pedrenias e o mato lá longe, na extremidade direita do horizonte. Quando tudo acontece, quando tudo tem irremediavelmente de acontecer, é muito rápido. Um javali aparece, subitamente, a fugir pela encosta à minha frente. Um caçador, postado em cima de um penedo, esvazia os primeiros cartuchos. O animal desce já aos ziguezagues sob um tiroteio infernal, até cair junto a um ribeiro idílico. “Tanta bala para matar um porco tão pequeno”, desabafa um caçador.
A maior e mais exilarante supresa surge do mesmo topo da encosta mas a um ritmo e peso completamente diferente. É uma “navalheira” ou “navalheiro”, um animal impressionante que rasga mato como uma charrua lavra torrões secos.
Na nossa posição, é fácil vê-lo, observar a correria desfiladeiro abaixo. Os matilheiros gritam “lá vai ele, lá vai ele!” Os caçadores postados nas portas mais próximas parecem incapazes ou de o ver ou de o matar. “Deixaram escapar um animal daqueles…minha Nossa Senhora…”
 
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A matilha Brinquinho já esgotada depois de atravessar montes e vales, rasgando trilhos, a perseguir e a dar luta aos javalis.
 
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Prosseguem serra acima mas já não há muito mais a perseguir
 
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A RAPOSA?

 
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"'Tava ali uma raposa, fil...da p...Já que não consegui nenhum javali, ao menos uma raposa!"
 
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De vez em quando, ouvem-se mais tiros, lá para as bandas do Mondego. Mas à medida que as horas passam e o Sol vai baixando, as expectativas esgotam-se. “Ao menos, uma raposa…”, delira um. “Há para aí muito tordo”, comenta outro, vigiando os ares. Os caçadores começam a regressar mas ainda sonham com um javali. “Car…lá vou ter que ir amanhã à montaria em Castelo Branco…”
À parte uma pequena discussão entre dois caçadores que discutem a porta que ocupavam - “ali era eu que devia estar e não você”- tudo correu bem aos organizadores da montaria: “Ninguém se aleijou, isso é que é importante!”
 
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Os caçadores debatem entre si quem matou a fêmea que assistimos a descer a encosta, sob a artilharia de vários caçadores. O último a acabar com ela foi um orgulhoso caçador de Mortágua mais a sua carabina.
 
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Os caçadores preparam-se para regressar ao Restaurante Cristina para o almoço. Partilhamos a traseira de uma pick-up com dois javalis e uma cão ferido e exaurido.
 
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Seis javalis abatidos, um dos quais será leiloado.
 
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PEDRAS RUIVAS

 
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PEDRAS RUIVAS

 
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CALDAS DE FELGUEIRA (NELAS)

 
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RIO MONDEGO EM CALDAS DE FELGUEIRA

 
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FOLHADAL

 
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FOLHADAL (NELAS)

 
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NELAS

 
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NELAS À ESPERA DO CARNAVAL

 
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ALCAFACHE

 
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Acabara de passar pela placa de Alcafache quando me começou a remoer no cérebro a memória da maior tragédia ferroviária de que há memória em Portugal. Tudo aconteceu ali a 11 de Setembro de 1985. O Sud-Express, uns 200 metros, 10 ou 12 carruagens, directo a Paris com cerca de 300 passageiros a bordo embateu de frente com um comboio regional com destino a Coimbra, ambos a 90 quilómetros à hora. O resto foi um horror, as imagens lancinantes que me lembro de ver pela televisão, os mais de cem mortos. Larguei a estrada movimentada entre Mangualde e Nelas e por ali fiquei, entre receptáculos de plástico para velas há muito ardidas, flores que murcharam e um painel muito bonito que me transportou de novo às imagens da época, carruagens emaranhadas numa encenação de horror, um homem a gritar "Perdi a minha mulher!", o então primeiro-ministro acabado de chegar de helicóptero: "Estamos todos aqui, o senhor ministro de..."

ALCAFACHE

 
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Monumento de homenagem às vítimas da tragédia ferroviária de Alcafache.

EN 234

 
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ESTRADA NACIONAL 234 MANGUALDE-NELAS

 
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