DIÁRIO DE VIAGEM DO JORNALISTA NUNO FERREIRA (EX-EXPRESSO, EX-PÚBLICO) QUE ATRAVESSOU PORTUGAL A PÉ ENTRE FEVEREIRO DE 2008 E NOVEMBRO DE 2010. O BLOG INCLUI TODAS AS CRÓNICAS PUBLICADAS NA REVISTA "ÚNICA" EM 2008, BEM COMO AS QUE SÃO PUBLICADAS SEMANALMENTE NO SITE CAFÉ PORTUGAL. (Travel diaries of Nuno Ferreira, a portuguese journalist who crossed Portugal on foot from February 2008 to November 2010. contact: nunoferreira62@gmail.com ou nunocountry@gmail.com

15/09/08

PONTE DESACTIVADA NA LINHA POMARÃO-MINAS DE SÃO DOMINGOS

 
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Nesta foto, dá para ver bem que não só é preciso descer e contornar os pilares como já me espera outro túnel, a entrada coberta de vegetação.
 
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MAIS UMA PONTE

 
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Como chovia, a água acumulava-se por debaixo dos pilares. Eu tinha de descer, molhar as sapatilhas com a mochila nas costas, equilibrar-me numas pedras e saltar para o lado de lá e continuar caminho.
 
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O QUE RESTA DA LINHA

 
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Este era o cenário no exterior dos túneis. A princípio, defronte da primeira "ponte", pensei em regressar ao Pomarão mas para a frente é que é o caminho.

NOS TÚNEIS DA VELHA LINHA POMARÃO-MINAS

 
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Tinha uma vaga ideia de que existiam diversos túneis e que a antiga linha, além de extensa, perdera os carris e as travessas quando foi desactivada mas abalancei-me ao caminho sem saber lanterna para iluminar os túneis e sem consciência do que é atravessar de mochila pesada às costas mais de dez buracos onde dantes existiam pontes. Nos túneis maiores, a tresandar de humidade e água a pingar das paredes, usei o flash da máquina fotográfica para não tropeçar.

O QUE RESTA DA LINHA DE DESEMBARQUE DO MINÉRIO

 
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Tudo o que resta da linha de embarque de minério são estes toros a apodrecer.

POMARÃO EM DIA DE CHUVA

 
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Cheguei ao Pomarão num dia cinzento e chuvoso. Refugiei-me na Associação Recreativa Pomarense, criada em 1911, quando os barcos chegavam ali para carregar o minério extraído da mina. No exterior, na parede da associação, estão marcadas as cheias de 47 e de 97.

UM CAFÉ CHAMADO GUADIANA (CRÒNICA PUBLICADA NA "ÚNICA")

 
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A escassos metros dali, a Rua 25 de Abril está a ser alvo de novas escavações arqueológicas. “Aqui em Mértola é assim, abre-se um buraco para arranjar os canos e descobre-se mais coisas do tempo dos romanos ou dos árabes”. A tertúlia do Café Guadiana, o mais antigo da vila, vive de outras histórias, do passado recente, quando o concelho era o que mais trigo produzia, a Mina de São Domingos empregava cinco mil pessoas na extracção do cobre, as barcaças subiam e desciam o Guadiana e a vila vivia do comércio. “As carreiras das camionetas paravam todas aqui à frente”, conta Henrique Silvestre, 61 anos, 50 de casa. “Os ceifeiros vinham do Algarve e concentravam-se aqui à porta, aos 100 e 200. Os lavradores chegavam e diziam quanto pagavam”.
Uma das figuras mais emblemáticas do Café Guadiana, o primeiro a ter televisão na terra, chama-se Xico Rouxinol e até já tem o seu nome na travessa onde vive. “Sempre andei cantando. Tinha dois burros e andava cantando em cima do burro. Chamaram-me o rouxinol...” Xico personifica os velhos tempos. Foi embarcadiço, pedreiro, calceteiro, pintor e contrabandista: “Andava como os morcegos, de noite. Levava café e trazia cuecas, soutiens, lenços de seda”. Como a estrada era ruim, o material para a vila era transportado quase todo em barcaças. “Vinha tudo em barco à vela. Havia uns 20. Trazíamos cal, tijolos, adubo. Depois, o rio perdeu caudal e os vaus deixaram de ser limpos, desistiu tudo”.
Agora, Xico é quem faz a manutenção da histórica Torre do Relógio, o mais antigo monumento da vila, construído na época romana e não perde um ensaio do Grupo Coral: “O dia do ensaio é o dia em que ando melhor”.
No grupo que frequenta diáriamente o Café Guadiana, António Sequeira, reformado da EDP, ex- correspondente do “Século” e do “DN” e fundador de diversas colectividades, é o que mais tempo dedica à recolha de material sobre o tal passado recente. “Vibro com esta terra, tenho orgulho nela”. Em casa, guarda um arquivo de cerca de 8 mil fotos do que se passou em Mértola desde os anos 50. “Naquele tempo, era uma vila com muita actividade comercial que vivia do movimento da mina e da agricultura. Hoje, renasceu com a arqueologia, a criação dos museus, a recuperação do património. São ciclos históricos”.
Mértola é agora palmilhada por turistas de câmara a tiracolo que circulam pelo Castelo, Mesquita e Museu Islâmico com a avidez dos iniciados. A tertúlia do Café Guadiana, sedeada na esplanada, não se faz rogada a qualquer pedido de informação. “Uh, levantam-se todos ao mesmo tempo e discutem quem tem razão”, comenta um taxista.
“Até já fiz de árabe num filme”, ri Xico Rouxinol, “vestiram-me da cabeça aos pés”. Uma vizinha, a filha de um conhecido ferreiro da vila, já falecido, também fez de figurante. “Ganhei 25 euros”. Xico pisca o olho: “Eu ganhei mais 25 do que tu. Sei lá, gostaram de mim, não sei...”

A FILHA DO FERREIRO

 
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O ferreiro faleceu mas a Câmara Municipal de Mértola fez questão de manter o espaço da oficina com todos os apetrechos para que os visitantes possam apreciar uma arte e profissão de outrora. A filha, vizinha do omnipresente Chico Rouxinol, serviu-me de cicerone.

A MEMÓRIA DE MÉRTOLA

 
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António Mendes Sequeira é uma memória viva de Mértola. Foi caixeiro viajante e funcionário da EDP mas a sua paixão é a fotografia e o jornalismo. Em casa, guarda entre sete a oito mil fotos de Mértola. "Desde 1950 que registo o que se passa aqui. Oh, há vistas que a gente tira uma vez e ficam para sempre. Veja esta, vê? O buraco na rocha e lá por trás o porto, as janelas, as chaminés, a parte velha da vila..."
Como associativista, fundou o Clube Futebol Guadiana, o Grupo Cénico Guadiana, os Bombeiros Voluntários de Mértola, o Grupo Coral Os Esquecidos de Mértola. "Criámos esse nome porque na altura os cantares estavam mesmo esquecidos, cantava-se nas tabernas..."
No Clube Futebol Guadiana foi capitão de equipa e treinador, lá para o final dos anos 40 do século passado. "Não havia balneários, não havia nada, equipava-mos no campo. Um dia chateei-me e vim-me embora".
Como jornalista, foi correspondente do "Século", do "DN", do "Comércio do Porto", do "Jornal do Algarve", do "Diário Ilustrado" e do "Portugal Hoje", além de fundador do "Ecos do Guadiana" e de "O Futuro de Mértola".

HENRIQUE SILVESTRE, 51 ANOS DE CAFÉ GUADIANA

 
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Quando Henrique Silvestre foi trabalhar para o Café Guadiana, com 11 anos, o café custava 10 tostões. As camionetas paravam à frente do estabelecimento e em tempo de ceifas, era ali que os homens e mulheres se concentravam. "Vinha muita gente do Algarve, concentravam-se ali fora à espera que os lavradores dizessem quantos precisavam". Mértola, era, nesse tempo, um celeiro de trigo.
Henrique trabalhava das 6h00 às 3h00, dormia três horas. Folgas? Zero. O patrão, também da mesma aldeia vizinha, Algodôr, guardava-lhe as gorjetas. "Quando fui para a tropa tinha 50 contos".
O Café Guadiana foi o primeiro a ter televisão e mais recentemente era frequentado por excursionistas. "No Verão, paravam aqui 10, 12 excursões. Agora já não é permitido, têm de parar lá em baixo, na avenida".
Ainda hoje, Henrique entra às 7h00 e sai às 20h00. Observa, pela janela do café, a ponte que atravessa o Guadiana e lembra-se como se fosse hoje: "Lembra-me perfeitamente do dia da ináuguração, veio cá o Américo Tomaz".

CHICO ROUXINOL, ABRIL DE 2008

 
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Chico Rouxinol exibindo com orgulho o seu cartão da Casa de Benfica de Mértola. Chico é uma personagem local, de tal modo que até já tem uma rua com o seu nome. Foi embarcadiço, trabalhou para a antiga fábrica de moagem, esteve em Lisboa em pastelarias, nas obras, pintou a Igreja de Carcavelos e arranjou o jardim de Oeiras, andou por Espanha e foi contrabandista. Trazia lenços de seda, cuecas, soutiens e levava café. "Andava como os morcegos, de noite".

CASA DE CHICO ROUXINOL

casa do Xico Rouxinol

Chico Rouxinol faz questão de nos levar a ver a sua casa, na Rua José de Almeida, rebaptizada Rua do Chico Rouxinol. Fica bem perto do Castelo de Mértola. Os barcos dos desenhos que tem na porta foram feitos por ele. "Gosto muito de desenhar, desenho barcos, andei embarcado, nos barcos à vela que traziam tudo de Vila Real de Santo António pelo Guadiana acima".

CHICO ROUXINOL, MÉRTOLA, ABRIL DE 2008

Xico Rouxinol 3
Entre outras coisas, é Chico Rouxinol quem mantem a Torre do Relógio. Porque é que lhe chamam Rouxinol? "Porque andei sempre cantando", explica Chico, que canta no grupo coral local.
"Tinha 15 anos e já andava cantando. Depois, tinha dois burros e andava cantando em cima do burro até ali à fábrica da moagem". Chico adora cantar. "Quando ensaio, à sexta, é quando ando malhor".

CASA DE CHICO ROUXINOL

casa do Xico Rouxinol
A casa de Chico Rouxinol é um santuário, de cachecóis do Benfica e do Guadiana, clube local, até a uma embarcação que ele fez questão de iluminar para o visitante.

14/09/08

MÉRTOLA, ABRIL DE 2008

mertola 3

PORTUGAL DEPRIMIDO (CRÓNICA PUBLICADA NA "ÚNICA")

Sanlucar ~

Bar El Pozo, Sanlúcar de Guadiana. Uma vozearia e garrafas vazias de Cruzcampo invadem o balcão enquanto um Sancho Pança andaluz observa a transmissão em directo de uma cerimónia no parlamento regional, em Sevilha e grita: “Ladrones! Paco! Mas un pincho e un tinto de verano!” Pagara um euro ao barqueiro e fugira, asfixiado, da desertificação, do estado da economia, da melancolia, da desconfiança lusitana perante o desconhecido. Afinal, não há nada mais triste que calcorrear com 12 quilos às costas o próprio país e vê-lo em depressão. “Já ninguém quer algerozes nem alcatruzes, passei a transformar a lata em caranguejos, barcos, cata-ventos, cães. Sempre vendo aos turistas”, explicara o velho e cansado latoeiro Aníbal Bandeira, em Tavira. “Aqui foi tudo embora, estão aí esses velhos que você vê”- quatro idosos compõem um quadro de ruralidade em extinção sentados na paragem de autocarros da Foz de Odeleite-“ e pouco mais”, confidencia um empreiteiro pouco animado: “Está a falar com o dono de uma empresa de construção falida”. Dei um mergulho nas águas barrentas do Guadiana, vigiado pelos fantasmas do costume- uma idosa de chapéu de palha, um tipo que sai de uma carrinha de caixa aberta-, visitei esse hino a tempos que já lá vão que se chama o Museu do Rio em Guerreiros e rumei a Alcoutim. “Aqui só temos estevas e pedras, todos os dias morre gente. A pesca? Acabou tudo com a poluição e as restrições de malha. O que nos vale ainda é a caça. Lá no Algarve...”, desabafa em tom de ironia o presidente da câmara, Francisco Amaral, “só se fala em golfe mas esquecem-se que há clientes da cinegética com mais poder de compra que alguns golfistas”.
Pena que as burocracias e as exigências legislativas não permitam que a caça do concelho seja consumida ali. “Para servir uma perdiz ou uma lebre local, tenho de a mandar inspeccionar por um veterinário e gastar milhares de contos num túnel de congelação. O investimento não justifica”, comenta Rosária Baptista, do Restaurante de cozinha regional Alcatiã, cujos pratos incluem perdiz à algarvia, lebre com feijão branco, coelho bravo à caçador ou javali estufado: “Acabo por comprar às grandes empresas que importam da Nova Zelândia”.
Descartados o turismo e a cinegética, Alcoutim toda ela é passado, quando as barcaças de minério desciam o Guadiana, o barbo e o muge- chamavam-lhe o 365 por ser comido todo o ano- povoavam o rio e o contrabando aliviava a fome. “Era um contrabando de miséria, uns quilos de tabaco, uns quilos de café. Ai mãe, não me fale disso tão pouco, a gente penava aí...” recorda Fernando, ex-contrabandista. “Às vezes, era para perder tudo”.
Quando um dos últimos pescadores da terra, Emídio Costa Rica, 75 anos, que todos os dias é visto junto ao barco no rio, me diz que já não pesca e me fecha a porta na cara quando lhe peço uma foto junto à barcaça, abalo para Espanha, à procura de algum oxigénio.
Valha-me o súbito irromper da primavera, o chuveiro quase espiritual da cascata do Pego do Inferno, as águas mornas de Manta Rota, a esteva da Mata das Terras da Ordem e as andorinhas rodopiando em círculos na praça central de Alcoutim. “Já cheira a Verão”.

DONA ROSARIA BAPTISTA, RESTAURANTE ALCATIÃ, ALCOUTIM

Rosaria 2

"O governo diz que quer travar a desertificação mas infelizmente, actua no sentido contrário", desabafa Rosária Baptista, natural de Pereiro, no interior do concelho de Alcoutim e dona do restaurante Alcatiã. "Num concelho como este, com uma densidade que não chega aos seis habitantes por quilómetro quadrado, tem de reduzir a carga fiscal, reduzir os entraves ao turismo, à cinegética".

JUNTO AO GUADIANA ENTRE GUERREIROS DO RIO E ALCOUTIM

Guadiana
Guerreiros do Rio 2

GUERREIROS DO RIO

G Do RIO

Em Guerreiros do Rio, pouco mais resta da pesca do Guadiana do que o museu. "Acabou tudo com a poluição e as restrições à pesca. "Há para aí quatro ou cinco mas andam sempre preocupados com a polícia marítima", dizem-me.
Guerreiros do Rio

ÁLAMO, CONCELHO DE ALCOUTIM

Odeleite-Guerreiros do Rio

"Lutamos desesperadamente pela sobrevivência", desabafa o presidente da câmara de Alcoutim, o concelho que tem a freguesia, Pereiro, com menos habitantes por quilómetro quadrado do país. "Só temos estevas e pedras, todos os anos morre gente. Pertencemos a uma região, a do Algarve, que tem concelhos ricos e é considerada rica pela União Europeia mas Alcoutim está entre os dez concelhos mais pobres".

FOZ DE ODELEITE

placa Odeleite
Imagino que a noção de liberdade deste é que, de costas para a aldeia e de frente para o Guadiana, ninguém o vá lá chatear

FOZ DE ODELEITE

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FOZ DE ODELEITE

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Estes são os pequenos grande prazeres de andar a pé. Fazem-se quilómetros e quilómetros solitários para, de repente, numa curva, surgir algo que valeu a pena. Para mais, eram três da tarde, estava a morrer de fome e na minúscula Foz de Odeleite tinha acabado de reabrir o restaurante local. Almocei com vista para o Guadiana e para as pequenas hortas dos últimos idosos, que andam entre as couves e a paragem de autocarro em frente ao restaurante onde se sentam a conversar, a ver passar o tempo.

A ESTEVA A REBENTAR NA PRIMAVERA

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Este é um dos privilégios de arrancar de Castro Marim em plena primavera e, mesmo de barriga vazia, progredir até Odelouca: A esteva rebenta em todo o seu esplendor.

ALCARIA

Burro Alcaria

O único ser à vista em Alcaria, a caminho de Odelouca

PIÇARRAL, ABRIL DE 2008

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Nome engraçado, hein?

IC 27

IC 27

Quando se caminha e atravessa Portugal a pé, o pior sãos as IP's e as IC's. No caso concreto da caminhada em direcção a Alcoutim, não havia volta a dar-lhe e por isso, fui pela IC 27. Lembro-me de uma carrinha de vendedor de gelados que passou por mim várias vezes e apitava sempre.

VISTA DA IC 27

Beliche +

O mundo rural visto da IC 27. Fala-se muito das acessibilidades. Em Portugal, as acessibilidades contribuíram ainda mais para o êxodo dos campos e não trouxeram (ainda não) nada de verdadeiramente positivo para contrariar o atraso. Basta tirar o carro de uma A2 junto à Serra do Caldeirão e levá-lo até à aldeia mais próxima para perceber que por baixo ou junto ao enorme viaduto de betão só vivem idosos e analfabetos. Os dois mundos que se cruzam- o das vias rápidas e o da aldeia desertificada que vegeta à sua sombra- estão a milhares de anos-luz.

BELICHE

Beliche 2

CASTRO MARIM

Castro Marim 3

VILA REAL-CASTRO MARIM

ciganos Castro Marim
Ía a caminho de Castro Marim e começo a ver aquela carroça a vir na minha direcção. A criança, mal me viu, começou a dizer "money, money". Eu dei-lhe dinheiro. Em contra-luz, consegui a foto da felicidade, dos sorrisos
ciganos Castro Marim +

CASA DO BENFICA

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Foi uma grande Casa do Benfica, a que encontrei em Vila Real de Santo António. Em dia de jogo, o salão enche-se com 60, 70 benfiquistas.

VELHA GLÓRIA

Vila Real S A
Tudo o que resta do velho campo de futebol Francisco Gomes Socorro são as paredes, este pórtico digno de ser fotografado por Stuart Clarke e as velhas bilheteiras
 
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